Comitê de investimentos descartou aplicação em SCPs do grupo antes da crise que atingiu milhares de investidores.
A Fictor, empresa que entrou em recuperação judicial após deixar prejuízos a mais de 12 mil investidores, chegou a oferecer investimentos a um instituto de previdência municipal do interior de São Paulo. A proposta foi rejeitada, decisão que pode ter evitado perdas significativas para servidores públicos aposentados.
A ata da 146ª reunião do Comitê de Investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores de Conchal (ConchalPrev) mostra que o órgão foi procurado entre o fim de 2023 e o início de 2024 para aplicar recursos nas Sociedades em Conta de Participação (SCPs) do grupo. Após análise, o comitê concluiu que esse tipo de ativo não estava previsto na política de investimentos para 2024 e decidiu não realizar o aporte.
Na época, o fundo previdenciário administrava cerca de R$ 133,9 milhões, valor que havia crescido mais de R$ 15 milhões ao longo de 2023. Caso a aplicação tivesse sido realizada, os recursos destinados às aposentadorias poderiam ter sido comprometidos.
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Registros da reunião indicam que representantes do instituto receberam material sobre as SCPs Agro Participações Fictor, mas, após consulta à assessoria de investimentos, foi confirmado que a modalidade não se enquadrava nas diretrizes do fundo.
As SCPs são consideradas estruturas pouco transparentes, sem garantia financeira e fora da supervisão direta de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários e o Banco Central do Brasil. O grupo prometia rentabilidade superior a 26% ao ano, percentual visto como fora do padrão de mercado.
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A crise da empresa se agravou após a tentativa de aquisição do Banco Master, e a falta de pagamentos a investidores levou à recuperação judicial e a investigações sobre a captação de recursos por meio das SCPs.