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Inteligência artificial ameaça fotógrafos escolares e transforma crianças em modelos digitais
Foto: Reprodução

Pais nos Estados Unidos estão usando o ChatGPT para criar fotos escolares dos filhos e economizar dinheiro. A prática, que parece saída de um episódio de ficção científica, já provoca mudanças em um dos negócios mais tradicionais do ambiente escolar.

 

A tradicional foto escolar, aquela em que os alunos aparecem diante de um fundo azul, com um sorriso ensaiado e uma postura que nem sempre combina com o comportamento em sala de aula, está enfrentando um concorrente inesperado: a inteligência artificial.

 

Segundo reportagem publicada pelo site Futurism, pais norte-americanos estão recorrendo a ferramentas de IA generativa para produzir retratos escolares em casa, dispensando a contratação de fotógrafos profissionais. A novidade transforma salas de estar em estúdios improvisados e celulares em equipamentos capazes de produzir imagens dignas de um catálogo profissional.

 

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O procedimento é relativamente simples. Os responsáveis fotografam os filhos diante de uma parede de cor sólida e enviam as imagens ao ChatGPT, solicitando que as crianças sejam mantidas com as mesmas características, mas com aparência de uma fotografia escolar tradicional.

 

A influenciadora Carlie Bond mostrou o método em um vídeo publicado no TikTok. Mãe de três filhos, ela comemorou o resultado e destacou a economia obtida com a produção independente.

 

A iniciativa, no entanto, levanta uma questão curiosa: se uma máquina consegue transformar uma criança fotografada diante de uma parede comum em um retrato com aparência profissional, qual será o futuro dos estúdios especializados em fotografar alunos?

 

A economia pode chegar a US$ 60 por criança, aproximadamente R$ 300, dependendo do câmbio. Para famílias com três filhos, como a de Carlie, o valor poupado pode alcançar R$ 900.

 

Enquanto os pais comemoram a redução dos gastos, fotógrafos escolares podem ter motivos para preocupação. Afinal, a concorrência deixou de ser apenas o estúdio instalado na cidade vizinha e passou a ser um sistema de inteligência artificial disponível no celular de qualquer responsável.

 

Há ainda quem vá além da criação de imagens e utilize ferramentas digitais para remover marcas-d'água de fotografias de demonstração, prática que pode envolver questões de direitos autorais e uso indevido de imagens.

 

O fenômeno ilustra uma transformação cada vez mais presente na vida cotidiana: tarefas antes realizadas por profissionais estão sendo adaptadas para ferramentas automatizadas, que prometem resultados rápidos e custos menores.

 

No entanto, a tecnologia também traz um detalhe que merece atenção: uma foto gerada por inteligência artificial pode parecer perfeita sem necessariamente representar com fidelidade a aparência real da criança.

 

Diante dessa nova realidade, os fotógrafos escolares talvez precisem se reinventar para continuar no mercado. Afinal, quando o concorrente não precisa de câmera profissional, não cobra deslocamento e trabalha 24 horas por dia, a disputa fica complicada.

 

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E, no futuro, a maior preocupação das crianças pode deixar de ser sair com os olhos fechados na foto escolar e passar a ser descobrir se o colega que apareceu com o cabelo impecável e o sorriso de modelo realmente existe daquele jeito fora da inteligência artificial.

 

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