Polícia afirma que negociação conduzida por Doca da Penha para trégua entre facções teria desagradado Marcinho VP.
Uma operação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro realizada nesta quarta-feira (11) revelou indícios de tensão interna dentro do Comando Vermelho (CV) após uma tentativa de negociação de trégua com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
As informações fazem parte de um inquérito conduzido pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), que investiga a estrutura e as articulações da facção criminosa.
De acordo com os investigadores, no dia 22 de fevereiro de 2025, o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca da Penha ou Paraíba, enviou a um contato identificado como “São Paulo” uma captura de tela de uma reportagem que tratava da possível trégua entre as duas organizações criminosas.
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Segundo a polícia, o interlocutor citado na conversa teria ligação com integrantes da facção paulista.
TENTATIVA DE ACORDO ENTRE FACÇÕES
As apurações indicam que, naquele período, Doca estaria atuando em negociações de paz envolvendo diferentes organizações criminosas do país.
Mensagens analisadas pelos investigadores apontam conversas entre integrantes do Comando Vermelho, do PCC, do Primeiro Grupo Catarinense (PGC) e do Primeiro Comando de Vitória (PCV).
Em um dos diálogos incluídos no inquérito, Doca teria enviado ao contato um texto-base contendo a proposta de trégua entre as facções e pedido uma avaliação do conteúdo antes da divulgação.
Dias depois, em 25 de fevereiro de 2025, um comunicado começou a circular entre integrantes dessas organizações criminosas anunciando o fim dos confrontos e sugerindo a criação de uma nova aliança entre CV e PCC, com possibilidade de adesão de outros grupos.
REAÇÃO DA LIDERANÇA DO CV
Segundo a investigação, a tentativa de acordo provocou irritação em Márcio dos Santos Nepomuceno, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho.
De acordo com a polícia, Marcinho VP não teria sido consultado previamente sobre a negociação, apesar de ocupar posição de destaque na hierarquia da facção.
O inquérito descreve o criminoso como presidente do Conselho Permanente do Comando Vermelho, responsável por decisões estratégicas do grupo. Mesmo preso em presídio federal, ele continuaria exercendo influência sobre a organização por meio de intermediários.
Já Doca da Penha é apontado pelas autoridades como a chamada “primeira voz das ruas”, responsável por articular ações nas comunidades e executar decisões da cúpula da facção.
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Para os investigadores, o episódio pode indicar divergências internas dentro do Comando Vermelho, já que a tentativa de negociação teria sido conduzida sem autorização direta da principal liderança da organização criminosa.