Facção venezuelana amplia atuação em diferentes estados, fortalece o tráfico de armas e movimenta bilhões em esquema de lavagem de dinheiro, apontam investigações.
Investigações das forças de segurança revelam que a facção criminosa venezuelana Tren de Aragua ampliou sua presença no Brasil e consolidou uma aliança com o Comando Vermelho, tornando-se uma das principais fornecedoras de armamentos para o grupo criminoso brasileiro.
Conversas interceptadas pela Polícia Civil de Roraima mostram negociações entre integrantes das duas organizações envolvendo o transporte de armas da Região Norte para o Rio de Janeiro. Em uma das mensagens, um membro do Comando Vermelho reclama do custo do frete, enquanto Antônio Cabrera Soterano, conhecido como "Tio Antônio" e apontado como líder do Tren de Aragua no Brasil, afirma que o valor cobrado já seria reduzido.
Segundo as investigações, a organização criminosa já possui entre 150 e 250 integrantes distribuídos por Roraima, Amazonas e estados da Região Sul, além de manter colaboradores em São Paulo e no Rio de Janeiro.
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De acordo com o delegado Wesley Costa de Oliveira, responsável pelas investigações, a facção aproveita o fluxo migratório de venezuelanos para recrutar novos integrantes e expandir sua atuação, principalmente em regiões de fronteira e áreas estratégicas para o crime organizado.
Além do tráfico de drogas, o grupo também atua em atividades ligadas ao garimpo ilegal, exploração sexual e controle de rotas clandestinas. As investigações apontam ainda que o Tren de Aragua mantém fornecedores de armas na Colômbia e na Venezuela, abastecendo facções brasileiras com fuzis, metralhadoras e outros armamentos de alto poder destrutivo.
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Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o sofisticado esquema de lavagem de dinheiro utilizado pela organização. Segundo a apuração, o grupo emprega técnicas como o chamado "smurfing", que consiste no fracionamento de depósitos para dificultar a identificação das operações financeiras pelos órgãos de controle.
A investigação também identificou o uso de criptomoedas e empresas de fachada para ocultar recursos ilícitos. Apenas nesta operação, a movimentação financeira atribuída ao grupo ultrapassou R$ 6 bilhões, sendo cerca de R$ 428 milhões considerados provenientes de atividades ilegais.
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Foto: Reprodução
Em junho deste ano, uma operação conjunta envolvendo autoridades dos Estados Unidos e da Venezuela resultou na morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, apontado como principal líder do Tren de Aragua. Segundo as investigações, ele comandava atividades ligadas ao garimpo ilegal e ao tráfico de armas a partir da região de Las Claritas, na Venezuela.
As autoridades brasileiras avaliam que a morte do líder pode provocar a migração de integrantes da facção para o território nacional, especialmente para Roraima, aumentando os desafios no combate ao crime organizado nas regiões de fronteira.
Além disso, órgãos de segurança alertam que a organização se aproveita da crise migratória venezuelana para recrutar pessoas e facilitar a entrada de criminosos no Brasil, muitas vezes utilizando documentos falsificados ou rotas clandestinas conhecidas como "trochas", o que reforça a necessidade de ampliar a cooperação internacional e fortalecer os mecanismos de fiscalização nas áreas de fronteira.