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Irã recua, suspende execuções de manifestantes e fecha espaço aéreo em meio a ameaça de guerra com EUA e Israel
Foto: Reprodução

Manifestação contra o governo do Irã: Protestos contra o regime iraniano aconteceram em outras cidades do mundo, como em Londres

Em meio à escalada de protestos internos, denúncias de massacres e forte pressão internacional, o governo do Irã deu sinais de um recuo pontual na repressão brutal contra manifestantes. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que não há execuções previstas “nem hoje, nem amanhã”, após familiares de Erfan Soltani, de 26 anos, primeiro manifestante condenado à morte desde o início das mobilizações, serem informados do adiamento da pena.

 

Em entrevista à emissora americana Fox News, Araghchi tentou minimizar a crise e disse que dez dias de protestos pacíficos por dificuldades econômicas teriam sido seguidos por três dias de violência, que, segundo ele, teriam sido orquestrados por Israel. O chanceler garantiu que a situação estaria “sob controle”.

 

— Posso afirmar com certeza que não há nenhum plano para enforcamento — declarou.

 

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O anúncio do recuo coincidiu com o fechamento temporário do espaço aéreo iraniano, liberado apenas para voos civis internacionais específicos. Segundo o site sueco Flightradar24, que monitora tráfego aéreo em tempo real, a restrição teve duração inicial de pouco mais de duas horas.

 

Ainda de acordo com a plataforma, o governo da Alemanha emitiu alerta às companhias aéreas para que evitassem sobrevoar o Irã, diante do aumento do risco na região causado pelas tensões internas e externas e pelas restrições impostas por Teerã.

 

TRUMP ENTROU EM CENA

 

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter sido informado de que “os assassinatos cessaram” no Irã, após dias de repressão violenta denunciada por entidades de direitos humanos.

 

Durante um evento na Casa Branca, Trump disse que recebeu informações de “uma fonte confiável” dando conta de que as mortes teriam parado e que não haveria planos de executar os detidos. O líder americano alertou, no entanto, que ficaria “muito chateado” caso a informação fosse falsa.

 

— Vamos observar e ver qual será o processo — afirmou Trump, ao ser questionado sobre uma possível ação militar.

 

O presidente dos EUA também voltou a incentivar os iranianos a manterem os protestos, afirmando nas redes sociais que “a ajuda está a caminho”.

 

CLIMA DE GUERRA NO ORIENTE MÉDIO

 

 

O clima de tensão aumentou ainda mais após militares americanos e britânicos receberem ordens para deixar a base de al-Udeid, no Catar, considerada a maior instalação militar dos EUA no Oriente Médio. A retirada foi confirmada pelo Escritório Internacional de Mídia do Catar e tratada como medida de precaução diante da escalada de ameaças.

 

Em resposta, a República Islâmica do Irã afirmou que, caso os Estados Unidos ataquem o país, bases americanas na região serão consideradas “alvos legítimos”. O comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, declarou que o Irã está pronto para responder “com firmeza” aos EUA e a Israel, acusando Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de estarem por trás dos protestos.

 

Nos últimos dias, Trump chegou a ameaçar intervenção militar e anunciou tarifas de 25% contra parceiros comerciais do Irã, intensificando ainda mais a pressão.

 

MORTES, PRISÕES E CENSURA

 

Apesar do discurso de recuo, o número de vítimas segue assustador. Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, ao menos 3.428 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança e mais de 10 mil pessoas foram presas. A entidade alerta que os números reais podem ser muito maiores.

 

A internet permanece cortada em todo o país pelo sétimo dia consecutivo, conforme a organização NetBlocks, dificultando a divulgação de informações. Mesmo assim, vídeos que conseguiram escapar da censura mostram dezenas de corpos empilhados em um necrotério no sul de Teerã, reforçando as denúncias de massacre.

 

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A crise no Irã segue sem solução à vista, enquanto o mundo acompanha, apreensivo, o risco de um novo conflito de grandes proporções no Oriente Médio. 

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