O traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, de 38 anos, um dos bandidos mais procurados do Rio, conta com uma pessoa de sua confiança que o assessora na administração de negócios ilegais explorados por seu bando nas comunidades de Parada de Lucas, Vigário Geral, Cinco Bocas, Pica-Pau e Cidade Alta, no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.
Um trecho de um despacho do juízo da 1ª Vara Criminal Especializada da Capital, responsável pela decretação de uma das prisões preventivas de Álvaro Malaquias Santa Rosa, em julho e 2024, revela que Aldo Malaquias Santa Rosa, o Sardinha, de 45, irmão de Peixão, é o seu braço direito.
Sardinha não tem uma das pernas, mas em seu nome constam duas preventivas decretadas, conforme dados dos sites do Conselho Nacional de Justiça e do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Uma delas é datada de 2021, e foi decretada pela Vara Criminal de Paracambi por crime de tráfico.
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Foto:Reprodução
A outra, mais recente, é de 30 de junho de 2024 e o transformou em réu ao lado do irmão, e de mais 13 pessoas. Todas foram denunciadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e extorsão. Segundo um trecho do despacho do juízo da 1ª Vara Criminal Especializada da Capital, que justifica a decretação de um total de 15 prisões preventivas, Aldo tem como principal função na quadrilha chefiar o comércio de drogas em Parada de Lucas.
A decisão foi baseada numa investigação da 38ªDP (Brás de Pina), de 2023, feita pelo delegado Fábio Asty e por policiais de sua equipe, entre junho e dezembro daquele ano. Atualmente, Asty está à frente da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas(DRFC), uma das unidades responsáveis por investigar Peixão.
Segundo levantamento feito pelos agentes, uma das tarefas de Aldo é auxiliar o irmão na gestão financeira da organização criminosa. A Polícia Civil estima que, em 2023, o bando do traficante Peixão movimentou, no Complexo de Israel, apenas com a exploração de negócios irregulares, como cobranças de taxas impostas ao comércio e venda de sinal clandestino de tv a cabo e de internet, cerca de R$ 1 milhão por mês.
Segundo a investigação, o traficante é apontado como chefe do grupo criminoso, mandante de homicídios, de torturas, e de invasões armadas a imóveis localizados em áreas dominadas por facções rivais. De acordo com a a polícia, ele também seria responsável por chefiar e administrar a arrecadação de valores obtidos com exploração de negócios ilegais no Complexo de Israel.
Peixão diz ser evangélico e também gosta de ser chamado pelo apelido de Arão, nome citado na bíblia como irmão mais velho do profeta Moisés. Ele proíbe cultos de religião de matrizes africanas e é ainda investigado por ordenar a destruição de terreiros nas comunidades onde seu bando controla territórios.
Em julho de 2020, o criminoso criou o Complexo de Israel, nome que deu ao conjunto de favelas onde o tráfico de drogas é comandado por ele, e que inclui Cidade Alta, Parada de Lucas, Vigário Geral, Cinco bocas e Pica-Pau. Além delas, o suspeito também domina territórios de comunidades em Nova Iguaçu e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Para marcar locais onde mantém domínio, Peixão costuma usar símbolos como a bandeira de Israel e a Estrela de Davi. Na Cidade Alta, por exemplo, uma caixa d'água ostenta a estrela que atrai proteção divina.
Nesta quarta-feira, o bandido conseguiu escapar de um cerco de policiais civis e militares durante uma operação deflagrada para evitar que bandidos de sua quadrilha invadissem a Favela do Quitungo, controlada pela facção criminosa rival Comando Vermelho. Na ocasião, os policiais localizaram uma mansão usada pelo traficante em Parada de Lucas. A residência de luxo contava com piscina e com o símbolo da Estrela de Davi, em uma cascata.
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Álvaro Malaquias Santa Rosa possui uma extensa ficha policial com mais de 35 anotações criminais e é citado em pelo menos 26 processos que tramitam no Tribunal de Justiça do Rio. Treze deles resultaram de inquéritos instaurados para apurar crimes contra a vida (homicídio ou tentativa de homicídio). No site do Conselho Nacional de Justiça há sete mandados de prisão expedidos em nome do traficante.
Fonte: Extra