Em referendo, 52,8% dos eleitores votaram contra a retomada das conversas; pesca e autonomia econômica pesaram na decisão
A Islândia decidiu manter suspenso o processo de aproximação com a União Europeia (UE). Em referendo realizado no sábado (29), 52,8% dos eleitores rejeitaram a retomada das negociações, enquanto 47,2% foram favoráveis à reabertura das conversas.
A consulta popular não questionava uma entrada imediata da Islândia no bloco europeu. O objetivo era definir se o país deveria voltar à mesa de negociações, interrompidas há mais de dez anos. Com o resultado, o debate sobre uma possível adesão à UE deve continuar paralisado.
Um dos principais fatores que influenciaram a decisão foi o receio de que o país perdesse autonomia sobre o setor pesqueiro. A atividade representa aproximadamente 40% das exportações islandesas e possui grande importância para a economia nacional.
Veja também

EUA enviam US$ 3,6 milhões em ajuda ao Nepal após enchentes que deixaram centenas de mortos
Menina de 6 anos é resgatada dos escombros após avalanche no Nepal. VEJA VÍDEO
Os defensores da retomada das negociações argumentavam que uma maior integração com a União Europeia poderia trazer benefícios econômicos para o país, como maior estabilidade, redução da inflação e melhores condições de financiamento.
Também havia expectativa de que uma aproximação fortalecesse a cooperação da Islândia com outros países europeus em áreas como segurança e mudanças climáticas.
O resultado do referendo mostrou ainda uma divisão entre diferentes regiões do país. Enquanto Reykjavik, capital islandesa, registrou maior apoio à retomada das negociações, áreas rurais apresentaram uma tendência mais forte de rejeição.
A primeira-ministra Kristrún Frostadóttir, que defendia a realização do referendo, afirmou que o governo irá respeitar a decisão tomada pelos eleitores.
A Islândia apresentou oficialmente seu pedido de adesão à União Europeia em 2009, em meio a uma grave crise financeira. As negociações começaram no ano seguinte, mas foram interrompidas em 2013 e posteriormente abandonadas.
Mesmo sem fazer parte da UE, a Islândia mantém uma relação próxima com o bloco. O país integra o Espaço Econômico Europeu e participa do acordo de Schengen, o que garante acesso ao mercado comum europeu e facilita a circulação de pessoas, sem que haja uma participação formal na União Europeia.