Com o ataque ao Irã, o primeiro-ministro de Israel pode ter evitado que a União Europeia sancione o país pelo que está ocorrendo em Gaza
A União Europeia é um bloco dividido. Em relação a Israel, a divisão é profunda, como vem sendo demonstrado desde o início das ações militares em Gaza, em resposta ao massacre perpetrado pelos terroristas do Hamas, em 7 de outubro de 2023.
Os países mais fechados com Israel são Alemanha, Áustria, Itália, República Tcheca e Hungria; os mais propensos a apoiar os palestinos são Bélgica, Eslovênia, Espanha e Irlanda.
A França, por sua vez, mostra-se errática, em virtude também da força crescente do eleitorado muçulmano no país.Pouco antes de Israel bombardear o Irã, o presidente Emmanuel Macron passou a defender, por exemplo, que Paris reconhecesse a Palestina como Estado, o que seria uma reviravolta histórica. Dos grandes países da União Europeia, apenas a Espanha reconhece.
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Até a semana passada, contudo, as nações europeias mais alinhadas a Israel começavam a mostrar rachaduras no seu apoio, incomodadas com o fato de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu continuar a bombardear alvos civis em Gaza e a instalar ilegalmente colonos judeus na Cisjordânia palestina.
O chanceler alemão Friedrich Merz criticou “o nível de sofrimento infligido à população civil” em Gaza, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, igualmente alemã, fez coro ao compatriota ao dizer que “a expansão das operações militares israelenses” tinha consequências “abomináveis”, em especial para as crianças.
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A coisa se encaminhava para que, nesta segunda-feira, na reunião dos ministros de Relações Exteriores dos países da União Europeia que ocorrerá em Bruxelas, o acordo de associação entre o bloco e Israel fosse reexaminado e os israelenses fossem punidos no aspecto comercial — o que representaria outro choque para a economia do país, que se encontra praticamente parada desde a primeira chuva de foguetes iranianos.
Fonte: Revista Veja