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Jesus Luz fala sobre vazamento de conteúdo adulto, desejo de voltar à TV e convivência com o TDAH
Foto: Reprodução

Controlar foto de nu é algo como querer controlar o pirateamento DVD ou CD pirata, quando isso havia. Não tinha como, era impossível não ter a música pirateada, assim como é impossível, e muito fácil vazar uma foto num grupo de Telegram, ou num fórum – J

“Existe o meu escritório e existe o escritório do Privacy. [Esse vazamento] já é esperado, acontece com muitas pessoas e as plataformas tomaram as rédeas da situação. Cabe à própria plataforma e ao meu escritório protegerem a minha imagem.

 

Vamos tomar as medidas cabíveis”, afirma Jesus Luz. Revela ainda que a inquietude é o traço mais evidente — e o mais confesso. Diagnosticado com TDAH, ele diz que é melhor ser um workaholic do que sofrer por estar com muito tempo livre. E quer retomar a carreira de ator. A última novela foi “Guerra dos Sexos”, em 2012

 

Para além de qualquer lugar-comum que ronda entrevistas e conversas públicas, Jesus Luz se revelou por inteiro, disposto a tratar de temas sensíveis. Rompeu com o senso comum e com o roteiro previsível que sempre o conduziu à condição de “ex-affair da Madonna”.

 

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Ele fala sem rodeios sobre os primeiros posts nas plataformas OnlyFans e Privacy terem vazado, passagens que o reposicionam — o filho de Logun-Edé e Exu, no Candomblé; o ator que deseja voltar a atuar; e o produtor que decidiu investir no entretenimento adulto. Esse é Jesus, à luz da própria personalidade.

 

 

“Eu comecei minha carreira fazendo nu artístico, na revista W. Eu tenho essa energia sexual muito forte e aceito isso numa boa. Acho maravilhoso. Sempre postei fotos muito sensuais. Meu Instagram, assim como tem eu saltando de paraquedas, tem eu sendo pai, DJ… tem muita foto sensual! Decidi monetizar isso.

 

Eu posso dizer que faço [os nus] de forma equilibrada, na qual crio um conteúdo que seja diferente do Instagram, mas que não passe do ponto. Eu consigo fazer um conteúdo adulto, de uma maneira mais artística, coisas que eu já fiz milhões de vezes. Eu me sinto um homem liberto”.

 

Estou no conteúdo adulto e fazendo isso com maestria. Estou gostando do resultado, que está sendo muito positivo financeiramente. Sempre fui muito preso na minha cabeça e tímido na minha adolescência. Vejo esta exposição com leveza – Jesus Luz

 

Sobre o vazamento nas plataformas OnlyFans e Privacy, ele reagiu com naturalidade. “Existe o meu escritório e existe o escritório do Privacy. [Esse vazamento] já é esperado, acontece com muitas pessoas e as plataformas tomaram as rédeas da situação. Cabe à própria plataforma e ao meu escritório protegerem a minha imagem. Vamos tomar as medidas cabíveis, mas isso pode voltar a acontecer. Eu não sou uma pessoa anônima que está dentro da plataforma”.

 

Controlar foto de nu é algo como querer controlar o pirateamento DVD ou CD pirata, quando isso havia. Não tinha como, era impossível não ter a música pirateada, assim como é impossível, e muito fácil vazar uma foto num grupo de Telegram, ou num fórum – Jesus Luz

 

 

Ele tem nome de divindade cristã, um sobrenome que soa como herança de hippies, mas é iniciado no Candomblé — e saúda Exu e Logun-Edé antes de qualquer palavra, inclusive, as saudações são as palavras que abriram este trecho da reportagem. O contraste é aparente; a coerência, interna. Ele se move entre crenças como quem atravessa linguagens, em busca de um idioma espiritual que una tudo. “A minha casa de Candomblé, ela é enraizada no culto tradicional iorubá.

 

Embora candomblecista, eu estudo cabala até hoje. Gosto sempre de estar em busca da fé. É uma das coisas que mais me estimula: essa busca pelos mistérios do universo, pela espiritualidade, pelas coincidências que cada religião tem — como uma fala de Jesus se combina com a fala de Buda. Para mim, Deus é um só. Deus é amor.

 

E o Candomblé veio da curiosidade, inicialmente até com um tanto de preconceito. Fui confiando na minha intuição, na minha vibração, no meu estado de espírito, e vi que me sentia muito bem no terreiro. Fui me sentindo bem e fui potencializando isso. Hoje o Candomblé é a minha religião. Um Deus não anula o outro.

 

A minha intenção em tornar pública a minha fé é criar esse debate da tolerância, trazer essa consciência, ser um canal de luz. Sou iniciado em Logun-Edé e Exu. Cada um é primeiro à sua maneira. Acho que o Candomblé me traz muita sabedoria.”

 

A fé, que nele se manifesta como sincretismo e disciplina, encontra resistência nas redes. Especialmente na internet, o fato de um homem branco professar uma fé afrocentrada costuma despertar acusações de apropriação cultural. Jesus diz nunca ter enfrentado críticas severas por isso. Pelo contrário. “Isso foi 0,1% [dos meus seguidores].

 

Soma-se a isso o preconceito religioso por eu ter o nome de Jesus — isso, sim, foi muito falado por pessoas intolerantes. Eu tive que ter muita paciência. Mas essa questão do fato de eu ser branco, é bem raro eu ler. Não senti um peso grande, não.”

 

Quase duas décadas depois de surgir no radar público, ele reconhece o momento em que compreendeu o que significava ser uma pessoa pública. “Acho que isso foi um pouco tardio. Essa noção do quanto a gente é afetado e afeta o outro, do quanto colocamos energia nas trocas e influenciamos também, foram percepções que eu tive mais tarde.

 

E hoje eu tento fazer o melhor uso disso. Tenho um milhão de seguidores no Instagram, e postar uma mensagem — seja sobre o que for — é uma responsabilidade muito grande. Impacta. Eu penso mil vezes hoje em dia, peço opinião de amigos. Graças a Deus, tenho esse pé no chão, essa humildade, essa lucidez de não me colocar como dono da verdade.

 

A internet hoje está cheia de especialistas, de mestres do universo. Eu sinto muita necessidade de ser mais tolerante com o outro, entender as diferenças, respeitar a religião de cada um, a política também. Respeitar a opinião do outro, hoje é difícil”.

 

Jesus Luz revela o desejo de retomar a carreira de ator. A última novela foi “Guerra dos Sexos”, em 2012 — uma década atrás. De lá para cá, as aparições em produções audiovisuais foram pontuais. Ainda assim, há um retorno possível — e desejado. “Conheci muitas pessoas incríveis, consegui conectar pessoas com outras pessoas.

 

Fotos:Reprodução

 

Trouxe o meu network. E estou com uma vontade muito grande de voltar a atuar também. Era uma coisa que estava meio adormecida em mim e agora começou a aquecer novamente. Estou sempre fazendo turnê nacional e internacional.

 

Nos últimos quatro, cinco anos, fazendo Réveillon em Orlando, Miami e turnê nos Estados Unidos, Portugal, Irlanda. Estou sempre alimentando a minha carreira de DJ em turnê, mas, de vez em quando, tiro um pouco o foco disso para investir na minha carreira de ator e de empreendedor imobiliário”.

 

A inquietude é o traço mais evidente — e o mais confesso. Diagnosticado com TDAH, ele diz que precisa manter a mente em movimento para não se perder na própria energia. “Eu consegui distribuir essa minha energia, porque, para mim, é pior ficar parado. Se eu não a coloco para fora, fico inquieto. Então, para mim, é melhor ser um workaholic do que sofrer por estar com muito tempo livre. Eu preciso ocupar minha cabeça, por uma questão de saúde mental.

 

É algo que me traz paz, que me traz satisfação pessoal. E dentro disso tudo tem a função pai que consome também. Acho que é a profissão que mais consome — e a mais poderosa, a que mais dá sensação de plenitude”.

 

Eu não me sinto com o cérebro doente ou limitado por uma síndrome. Eu sinto que me adaptei. O TDAH tem essa distração muito forte, eu tenho déficit de atenção e hiperatividade – Jesus Luz

 

O ritmo, que para outros poderia parecer exaustivo, para ele é método de sobrevivência. Trabalhar, estudar, empreender, tocar, atuar — tudo é parte de um mesmo impulso: manter-se em movimento. Como se o repouso, mais do que o erro, fosse o verdadeiro perigo. Aos quase 40 anos, o artista reflete sobre maturidade com serenidade incomum.

 

Não há melancolia no tempo que passa, mas uma espécie de aceitação ativa — o desapego como exercício de fé. “Eu não sinto que perdi, que já acabou. Eu não tenho essa sensação. E não tenho um grande medo nem da morte, nem de envelhecer. O meu medo hoje, se eu fosse descrever, é sentir muita dor, é ter uma doença.

 

Disso eu tenho medo. Agora, de todo o resto, não. Sou uma pessoa que trabalha muito na cabeça essa questão do desapego. Entender que tudo é a vontade de Deus e, seja qual for a idade que eu tiver, tentar manter a necessidade de aproveitar tudo ao máximo”.

 

Há em Jesus Luz uma contradição viva e, talvez por isso, interessante: mistura misticismo e método, fé e pragmatismo, exposição e reserva. E, ao fazê-lo, desloca-se do papel de figura pública para o de alguém em permanente elaboração — um homem que parece sempre à procura de um centro, mesmo quando decide habitá-lo em movimento.

 

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Jesus Luz fala de si como quem procura compreender uma partitura de muitas vozes. O som que busca parece ser, no fundo, o da própria harmonia. Entre o sagrado e o palco, o corpo e o espírito, Jesus parece ter aprendido a arte de dançar com o tempo, sem jamais pedir que a música pare.


Fonte:Heloisa Tolipan

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