Ex-prefeito de Cocal dos Alves consegue que Justiça derrube postagens com a música com menções a ele e sua família
Um jingle político criado há dez anos para uma campanha eleitoral em Cocal dos Alves, no interior do Piauí, voltou a viralizar nas redes sociais em 2026. A música, em ritmo de forró, faz acusações contra o então candidato Osmar de Sousa Vieira, conhecido como Osmarzinho, e integrantes de sua família.
Apesar de ter sido compartilhada como se fosse uma produção recente e até levantado questionamento sobre o uso de inteligência artificial, a música é antiga. O jingle circulou pelas ruas do município durante a eleição de 2016, quando Osmar disputava a prefeitura contra Ivan, candidato pelo PDT.
Cocal dos Alves tem cerca de 6,3 mil habitantes e se emancipou de Cocal em 1997. Na eleição daquele ano, Osmar venceu o adversário por uma diferença de 151 votos, com 51,73% dos votos contra 48,27%.
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Osmar, atualmente com 57 anos, é comerciante e foi prefeito do município entre 2017 e 2024 pelo PT. Ele não disputa a eleição atual, mas sua família continua atuando na política. O sobrinho, Wodson Vieira, também do PT, foi eleito prefeito em 2024. Já o irmão de Osmar, Rubens Vieira, concorre à reeleição como deputado estadual no Piauí.
Durante a campanha de 2016, carros de som, conhecidos como “paredões”, foram utilizados para reproduzir a música pelas localidades do município. O conteúdo gerou repercussão na época e voltou a chamar atenção após ser recuperado e compartilhado nas redes sociais.
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Rubens Vieira e Wodson Vieira, irmão e sobrinho de Osmar
Vieira (Foto: Divulgação / Divulgacand)
Uma pessoa que participou da campanha de Osmarzinho relatou que, na época, a situação foi considerada grave, embora atualmente o jingle tenha adquirido um tom de curiosidade entre os internautas.
Segundo a fonte, a oposição precisou produzir uma resposta às acusações feitas na música. A Justiça teria determinado que os veículos que circulavam com a resposta passassem novamente pelas localidades para divulgar a retratação.
De acordo com o relato, um dos carros chegou a circular com o volume baixo por constrangimento do motorista. Posteriormente, uma determinação judicial estabeleceu que a resposta fosse reproduzida novamente, desta vez em volume máximo.
A letra do jingle fazia referências a diferentes acusações envolvendo Osmar e seus familiares. Entre os episódios mencionados estavam um acidente envolvendo uma criança, supostos desvios na área da Educação e uma alegação de roubo envolvendo o pai do político, Valdemar Vieira, conhecido como Valdemarzinho.
Uma pessoa próxima à campanha confirmou que Osmar esteve envolvido, quando era mais jovem, em um acidente no qual uma criança morreu. Segundo o relato, porém, o episódio teria sido acidental e ele teria prestado socorro.
A mesma fonte afirmou que a música teria sido criada com o objetivo de apresentar Osmar como um “forasteiro”, já que ele havia se mudado para Cocal dos Alves antes da disputa eleitoral.
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Foto usada por Osmar Vieira, o Osmarzinho, na urna
em 2016 (Foto: Divulgação / Divulgacand)
As demais acusações citadas no jingle foram classificadas pela fonte como informações sem comprovação e parte de uma disputa política da época.
Com a nova viralização do conteúdo, Osmarzinho e seus advogados recorreram à Justiça para tentar retirar o jingle das redes sociais.
A juíza Elvanice Pereira de Sousa Frota Gomes, da 4ª Vara Cível da Comarca de Teresina, determinou que Meta e Facebook, responsáveis pelo Instagram, e a Bytedance Brasil, responsável pelo TikTok, tornem indisponíveis, no prazo de 24 horas após a intimação, os conteúdos que reproduzem o jingle.
A decisão também determina que as plataformas impeçam a reutilização do áudio da música. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 5 mil.
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Procurada sobre a decisão, a Meta informou que não se manifestaria sobre o caso. Até a última atualização da reportagem, não havia retorno do TikTok nem havia sido possível localizar Ivan, adversário de Osmar na eleição de 2016.