É difícil encontrar nos Estados Unidos uma pessoa que se refira ao jiu-jitsu sem agregar ao termo a palavra “Brazilian”. Estima-se que cerca de 3 mil academias pelo país carreguem em sua divulgação a sigla BJJ. As três letras remetem a um forte apelo como arte marcial eficaz, esporte competitivo e condicionamento físico.
O número de academias de Brazilian Jiu-Jitsu cresce, e a rede que puxa esse fenômeno é a Barra Gracie, criada no Brasil, que já conta com 400 academias em grandes centros urbanos americanos, principalmente em estados como Califórnia, Flórida, Texas, Arizona e Illinois.
Nesse cenário, o mercado para professores brasileiros é atraente. Um profissional pode ganhar entre US$ 50 mil e US$ 80 mil por ano (cerca de R$ 280 mil a R$ 450 mil). Donos de academias bem estabelecidas podem ultrapassar rendimentos pessoais em US$ 150 mil anuais (R$ 846 mil). O mineiro Paulo Vittorino tem 43 anos e mora nos EUA desde os 22. Ele fez seu aprendizado no Rio, na Barra Gracie, e hoje é sócio de uma academia na Flórida.
Veja também

Equipe econômica admite medidas futuras para atingir meta de 2025
Mesmo após contenção de gastos, governo prevê déficit de R$ 31 bilhões em 2025, no limite da meta
— Vencer é a melhor propaganda possível. Eu assistia às lutas dos irmãos Rickson e Royce Gracie e eles nunca eram derrotados. Era impossível para um garoto entrando na adolescência resistir ao sonho de ser como aqueles caras — conta Vittorino.
Para entender o fenômeno nos EUA é necessário voltar mais de 100 anos no tempo, em direção a Belém, no Pará. Foi na década de 1910 que os irmãos Gracie, cinco garotos adolescentes, conheceram o mestre japonês Mitsuyo Maeda, que divulgava o judô e outras artes marciais pelo mundo. Carlos Gracie (1902-1994), o primeiro da família a aprender, passou os ensinamentos aos mais novos.
No início da década seguinte, a família se mudou para o Rio e ele passou a ensinar a técnica. Para provar sua eficiência, inventaram os famosos “Desafios Gracie”. A ideia era lutar contra adeptos de outros tipos de combate e fazer de suas vitórias a melhor propaganda da eficácia do jiu-jitsu.
O irmão mais novo, Helio (1913-2009), teve papel crucial na criação do Grace Jiu-Jitsu. Ele era fisicamente mais frágil do que os irmãos e foi adaptando a técnica para que seus praticantes não necessitassem de tanta força física, utilizando movimentos de alavanca para subjugar o adversário. Por décadas, a invencibilidade de Helio diante de rivais estrangeiros muito mais altos e chegando a pesar o dobro da massa corporal do brasileiro o transformou num ídolo nacional.
Helio modificou a técnica do jiu-jitsu, enquanto Carlos incorporou uma filosofia de vida à luta, chegando a desenvolver uma alimentação baseada em combinação de alimentos, a Dieta Gracie, divulgada em vários países. E seus filhos foram fundamentais na conquista dos EUA.
Na década de 1970, Rorion Gracie, primogênito de Helio, foi morar na Califórnia. Dava aulas na garagem de sua casa e foi ganhando adeptos. Chegou a trabalhar no cinema, na franquia “Máquina Mortífera”, com Mel Gibson. Já estabelecido como dono de academia, pensou na divulgação do então rebatizado BJJ numa clara inspiração dos Desafios Gracie de seu tio Carlos.
Rorion criou, em 1993, uma competição entre lutadores de técnicas diferentes. A ideia dele para o Ultimate Fighting Championship, hoje conhecido mundialmente como UFC, era mostrar em combates reais a superioridade do BJJ diante de lutadores de muay thai, boxe, judô, caratê e o que mais aparecesse.
E deu muito certo. Um dos seus irmãos mais novos, Royce Gracie, venceu o primeiro UFC e se tornou uma lenda do esporte. Posteriormente, Rorion vendeu sua parte do UFC, mas o nome dos Gracie já tinha se espalhado pelo mundo. E aí cresce a importância do primo de Rorion, Carlos Gracie Jr.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Em 1986, Carlos Gracie Jr abriu a Gracie Barra, no Rio, com a proposta de continuar o legado da família. Quase 40 anos depois, a academia tem mais de mil unidades em 40 países. Todas as academias seguem o mesmo método de ensino, com programas específicos para crianças, iniciantes, adultos e competidores. É na formação de lutadores que a rede de escolas atrai alunos. Vários de seus professores já foram campeões mundiais.
Fonte: O Globo