A Justiça de Goiás condenou o médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, e o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola a pagar R$ 20 milhões por danos morais coletivos relacionados a abusos sexuais cometidos durante atendimentos espirituais em Abadiânia, no interior do estado. A decisão foi proferida pela Justiça em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de Goiás.
Na sentença, o juiz considerou que os abusos ocorreram de forma reiterada ao longo de décadas e que João de Deus teria usado sua autoridade religiosa e a confiança das mulheres que procuravam o local em busca de ajuda espiritual. Segundo a decisão, a estrutura da instituição, incluindo os espaços de atendimento e a atuação de auxiliares, contribuiu para que as agressões acontecessem.
Além da indenização coletiva, os réus foram condenados a reparar individualmente os danos morais e materiais das vítimas que comprovarem os abusos. Os valores de cada indenização serão definidos posteriormente, conforme a documentação apresentada e a extensão dos prejuízos sofridos. A quantia de R$ 20 milhões deverá ser destinada a ações de interesse coletivo, com prioridade para iniciativas de prevenção e enfrentamento da violência sexual contra mulheres.
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A Justiça também manteve a indisponibilidade da Fazenda Agropastoril Dom Inácio, avaliada em aproximadamente R$ 41 milhões, como garantia para o cumprimento das obrigações financeiras. O magistrado rejeitou os argumentos apresentados pelas defesas e reconheceu a responsabilidade civil tanto do médium quanto do centro espírita pelos danos relacionados aos abusos.
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João de Deus foi preso em 2018, após denúncias de mulheres que afirmaram ter sofrido violência sexual durante atendimentos espirituais. Ele acumula condenações criminais por crimes sexuais e cumpre prisão domiciliar em Anápolis, Goiás. A defesa informou que pretende recorrer da decisão que determinou o pagamento da indenização coletiva.