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Política no Amazonas
Jomar Fernandes, o caboclo da aldeia
Foto: Reprodução

Jomar Fernandes, presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas

Por Antônio Zacarias - Eu poderia iniciar este texto falando da trajetória profissional do desembargador Jomar Fernandes, presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas, mas isso a mídia já fez após a sua posse, no início deste ano.

 

Quero falar do Jomar, caboclo criado neste lado do rio Negro, que aprendeu a amar sua gente nos primeiros passos e nas primeiras palavras que ouvia da sua mãe e do seu pai, pessoas que sempre cultivaram o respeito e o amor por Manaus e pelo seu povo.

 

Jomar se fez gente pela criação honrada que teve. Aprendeu desde cedo que o labor e o sustento são indissociáveis, que a vida pode ser bela se belo for o sonho e a busca. Aqui nessa aldeia chamada Manaus cresceu com apego aos estudos e jamais olhou para o outro com indiferença. Cresceu sendo gente, no sentido profundo da palavra.

 

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Talvez tenha conhecido Fernando Pessoa nas suas primeiras leituras, e em Alberto Caeiro se inspirou:

 

"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer

Porque eu sou do tamanho do que vejo

E não do tamanho da minha altura..."

 

Assim passou a olhar para o mundo, certo de que desta terra se vê a lua e o sol e nela se cultivam jardins floridos, bem no meio de um verde incomensurável. Até mesmo uma rosa pode crescer no asfalto quente. Basta perseverar e acreditar no sonho possível.

 

Jomar Fernandes saiu pelo Amazonas, foi juiz no interior, fez amigos, mas sobretudo fez justiça. Com o olhar terno de fazer amolecer o coração mais empedernido, acolheu com respeito e dedicação o povo ribeirinho, o extrativista, o agricultor familiar, o indígena, a dona Maria e o seu João, sem qualquer preconceito.

 

Para se fazer justiça não pode ter preconceito. É preciso olhar para o outro como ser humano, e isto ele aprendeu. A simplicidade é a sua marca, porque assim deve ser a humanidade, distante da arrogância.

 

Seria como descreve Clarice Lispector:

 

"Apenas isso: chove e estou vendo a chuva. Que simplicidade. Nunca pensei que o mundo e eu chegássemos a esse ponto de trigo. A chuva cai não porque está precisando de mim, e eu olho a chuva não porque preciso dela. Mas nós estamos tão juntas como a água da chuva está ligada à chuva."

 

É assim a caminhada desse manauara, que chegou ao topo da carreira, ainda jovem, mas com "o saber de experiência feito", como disse Camões.

 

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Justiça seja feita, Jomar Fernandes é um caboclo que honra nossa gente.

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