Mais da metade dos brasileiros de 16 a 24 anos se define como conservadora
A ideia de que a geração Z estaria se tornando mais conservadora do que as gerações anteriores não encontra respaldo em uma nova pesquisa realizada pela Quaest a pedido do instituto More in Common. O levantamento indica que, embora a maioria dos jovens brasileiros se identifique como conservadora, os índices são menores do que os observados entre pessoas de faixas etárias mais elevadas.
O estudo analisou respostas de brasileiros entre 16 e 24 anos, grupo que concentra a maior parte da geração Z. Entre os homens jovens, 68% afirmaram se identificar como conservadores, enquanto entre as mulheres o percentual foi de 62%. Apesar dos números elevados, eles permanecem abaixo dos registrados entre gerações mais velhas.
Os resultados revelam uma juventude que ocupa uma posição intermediária nos debates sobre costumes. Os jovens demonstram maior apoio à igualdade de direitos para as mulheres e à adoção por casais homoafetivos, mas também apresentam resistência a pautas associadas a movimentos políticos como o feminismo e às demandas de parte da população trans.
Veja também
.jpg)
Enem 2026: alunos da rede pública têm prazo final para validar participação no exame
Naves do Conhecimento oferecem 6.650 vagas gratuitas em cursos e oficinas de tecnologia em junho
Entre os entrevistados, cerca de 70% dos homens e 83% das mulheres concordaram que casais gays devem ter o direito de adotar crianças. Ao mesmo tempo, mais da metade dos jovens afirmou concordar com a ideia de que a homossexualidade deve ser vivida de forma reservada.
Nas questões relacionadas ao feminismo, menos de um quarto dos participantes concordou que homens são superiores às mulheres. Porém, aproximadamente metade afirmou acreditar que o feminismo promove ódio aos homens ou representa uma ameaça à família brasileira.
O levantamento também identificou posições conservadoras sobre temas ligados à educação sexual. Entre os jovens, 59% disseram acreditar que discussões sobre identidade de gênero nas escolas podem confundir a sexualidade das crianças, enquanto 55% consideram que o tema deve ser tratado exclusivamente pelas famílias.
Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores foi a força do bolsonarismo entre homens jovens. Entre aqueles com idade entre 16 e 24 anos, 42% afirmaram se identificar com as ideias defendidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores. O percentual é superior ao registrado entre homens de faixas etárias mais avançadas.
Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que ser bolsonarista não significa necessariamente compartilhar todas as posições políticas ou ideológicas associadas ao movimento. Segundo os responsáveis pelo estudo, o conservadorismo continua sendo uma das principais referências para a organização das opiniões políticas dos brasileiros.
A pesquisa foi realizada presencialmente entre janeiro e fevereiro de 2025 com cerca de 10 mil brasileiros. Os entrevistados responderam a perguntas relacionadas a gênero, sexualidade e identidade política. De acordo com os organizadores, os resultados sugerem que a juventude brasileira não é mais conservadora do que as gerações anteriores, contrariando a percepção popularizada por pesquisas internacionais e debates recentes nas redes sociais.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram
Os pesquisadores destacam, entretanto, que o tema ainda exige novos estudos para compreender se as diferenças observadas atualmente entre as gerações permanecerão ao longo do tempo ou se os brasileiros tendem a se tornar mais conservadores à medida que envelhecem.