Marcelo Theobald/Agência O Globo
As despesas financeiras de 268 empresas brasileiras de capital aberto dispararam 12,09% no segundo trimestre de 2026, pressionadas pelo cenário de juros elevados. O levantamento, feito pela consultoria Elos Ayta, mostra que as companhias desembolsaram R$ 99,4 bilhões para pagar dívidas no período, R$ 10,7 bilhões a mais do que no mesmo trimestre de 2025.
O impacto dos juros aparece mesmo diante de um desempenho operacional positivo. O lucro antes de juros e impostos, o chamado Ebit, cresceu quase 25% e chegou a R$ 123,9 bilhões. No entanto, depois do pagamento de juros e impostos, o lucro líquido das empresas avançou apenas 3,9%, passando de R$ 48,9 bilhões para R$ 50,8 bilhões.
A pressão está relacionada principalmente à Selic, que encerrou o segundo trimestre em 14,25% ao ano. Com o custo do crédito elevado, empresas mais endividadas enfrentam maiores despesas para manter ou renovar financiamentos, reduzindo o impacto positivo dos resultados obtidos nas operações.
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O cenário também dificulta o repasse de custos aos consumidores. Com o crédito caro e a atividade econômica perdendo força, empresas de setores dependentes do mercado interno encontram mais resistência para aumentar preços. Dessa forma, mesmo companhias que conseguem elevar o faturamento acabam vendo parte do resultado ser consumida pelas despesas financeiras.
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Foto: Arte O Globo
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Entre os casos mais extremos está o da Casas Bahia, que registrou prejuízo líquido contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre. Embora grande parte do resultado negativo esteja relacionada a efeitos não recorrentes, o prejuízo ajustado da companhia ficou próximo de R$ 1 bilhão, alta de 76% em relação ao mesmo período do ano passado.