A justiça climática, combinada à reparação histórica, garante que os grupos mais afetados tenham sua voz ouvida e acesso a recursos
Não existe justiça climática sem justiça racial. Nossa sociedade é baseada no mundo escravocrata. Para construir uma transição de baixo carbono com justiça socioambiental e climática, é preciso compreender e combater o racismo ambiental, que é a distribuição desigual dos danos ambientais por raça, deixando-as ainda mais vulnerabilizadas pelas interseccionalidades de classe, de gênero e de território.
As mudanças climáticas afetam a todos, mas não de forma igual. Populações racializadas, como as negras, indígenas e periféricas, são justamente as mais impactadas, apesar de serem as que menos contribuíram para a crise ambiental. Além do que, historicamente, desempenham papel fundamental na conservação das florestas e da biodiversidade.
A estrutura social brasileira é marcada por um passado escravocrata, em que milhões de pessoas foram exploradas como mão de obra sem jamais receber reparação.
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A abolição, incompleta, trouxe consigo a exclusão territorial, enquanto imigrantes europeus recebiam terras e apoio estatal, a população negra foi empurrada para áreas inabitáveis, sem acesso a direitos básicos. Essa base desigual perpetuou-se ao longo do tempo, moldando a urbanização das cidades, a concentração fundiária e os espaços de tomada de decisão.

Foto: Reprodução
Quando olhamos para o campo, esse debate ganha contornos ainda mais relevantes. Isso porque o agro é responsável por parcela significativa da economia e da produção de alimentos do país.
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No entanto, o modelo predominante, historicamente baseado em monoculturas extensivas e no uso intensivo de recursos naturais, contribui para impactos sobre grupos sociais como comunidades tradicionais, pequenos agricultores e povos indígenas que sofrem pressões crescentes sobre seus territórios.