Decisão foi tomada neste sábado (7), após investigação sobre supostas irregularidades envolvendo o Ueno Bank; magistrado apontou risco de fuga e possibilidade de interferência nas apurações
A Justiça do Paraguai decretou, neste sábado (7), a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña, um dia após ele ser destituído do cargo pelo Senado. A decisão está relacionada à investigação sobre supostas irregularidades envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira que entrou em processo de liquidação e provocou uma crise econômica no país.
O juiz Humberto Otazú determinou que Peña permaneça sob custódia no Regimento de Escolta Presidencial, em Assunção, capital paraguaia. O magistrado apontou risco de fuga e possibilidade de interferência nas investigações como justificativas para a medida.
O ex-presidente é investigado por suspeitas de lesão de confiança e administração em proveito próprio. As autoridades apuram possíveis irregularidades na destinação de recursos públicos ao banco e falhas nos mecanismos de fiscalização da instituição financeira.
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Peña teve participação societária na Ueno Holding, grupo ligado ao controlador do banco, até 2025. A investigação busca esclarecer se houve favorecimento à instituição e se a relação empresarial do então presidente interferiu na supervisão realizada pelas autoridades financeiras.
O Ueno Bank teve suas operações suspensas após o Banco Central do Paraguai identificar problemas de solvência. A crise atingiu milhões de clientes, que ficaram temporariamente sem acesso aos depósitos, além de levantar questionamentos sobre a concentração de recursos públicos e previdenciários na instituição.
A decisão judicial ocorreu após o impeachment de Peña, aprovado pelo Senado na sexta-feira (6). O processo foi conduzido em meio à crise bancária e às denúncias de possíveis conflitos de interesse e irregularidades na fiscalização do banco. O então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do país.
Além de Peña, o ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, também foi alvo de acusações no âmbito da investigação. O Ministério Público apura possíveis responsabilidades de autoridades e dirigentes ligados à instituição financeira.
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A defesa do ex-presidente contesta as acusações e a necessidade da prisão preventiva. Peña nega irregularidades, enquanto o processo judicial segue em andamento para apurar os fatos e definir eventuais responsabilidades.