Kelvin Barros da Silva e Maria de Lourdes Freire Matos eram parte do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas (RCG) do Distrito Federal (Fotos: Reprodução/Redes sociais | Composição: Paulo Dutra/Cenarium)
A Justiça Militar da União converteu em preventiva, nesse sábado, 6, a prisão do soldado do Exército Kelvin Barros da Silva, 25 anos, investigado pela morte da cabo Maria de Lourdes Freire Matos dentro do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, no Distrito Federal. Além do feminicídio, o militar deve responder pelos crimes de incêndio, furto de arma de fogo e fraude processual. Ele confessou a autoria dos crimes.
Na decisão, o juiz Frederico Veras concluiu haver fortes indícios de materialidade e autoria, reforçados pela confissão e pelo conjunto probatório. Ele disse ainda que a liberdade provisória do investigado colocaria em risco a investigação e afrontaria a hierarquia e disciplina militares. Também foi citado pelo magistrado precedentes do Superior Tribunal Militar (STM) que autorizam a prisão preventiva em casos de extrema gravidade.
Foi determinada ainda a inclusão do mandado no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões e o juiz comunicou o Tribunal do Júri do Distrito Federal sobre a competência da Justiça Militar da União para conduzir o caso.
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Kelvin Barros da Silva e Maria de Lourdes Freire Matos eram parte do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas (RCG) do Distrito Federal, unidade que faz a guarda das instalações da Presidência da República. Criado em 1808 e conhecido como Dragões da Independência, 1º RCG é a cavalaria mais antiga do Brasil ainda em atividade. Maria de Lourdes Freire Matos era saxofonista da banda do regimento. Em publicação nas redes sociais, o 1º RCG mostrou pesar pelo assassinato.
“O 1º Regimento de Cavalaria de Guardas manifesta profundo pesar pelo falecimento da cabo Maria de Lourdes Freire Matos, cuja trajetória na instituição foi marcada por dedicação, profissionalismo e um compromisso exemplar com o serviço prestado na fanfarra. Neste momento de dor, expressamos nossas mais sinceras condolências aos familiares, amigos e irmãos de farda”, destacou o comunicado.
ENTENDA O CASO

A morte de Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos, na tarde de sexta-feira, 5, está sendo investigada como feminicídio, informou nesse sábado, 6 a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Segundo a 2ª Delegacia Policial (DP), da Asa Norte, o soldado Kelvin Barros da Silva, 21 anos, confessou a autoria do crime e está preso no Batalhão da Polícia do Exército, em Brasília.
Em vídeo divulgado pela PCDF, o delegado Paulo Noritika, chefe da 2ª DP, explicou que o soldado contou que o assassinato ocorreu depois de uma discussão com a vítima. Nas palavras do autor confesso do crime, Maria de Lourdes exigiu que o soldado terminasse o relacionamento com a namorada e a assumisse. Familiares da vítima, no entanto, negaram à imprensa local que os dois tivessem uma relação.
Segundo o delegado, o soldado não tinha antecedentes criminais. “O autor está sob custódia no Serviço de Guarda do Exército e responderá por feminicídio, furto de arma, incêndio e fraude processual, podendo ser condenado a 54 anos de prisão”, acrescentou Noritika.
O corpo da militar foi encontrado na sexta, 6, pouco depois das 16h, carbonizado e com um corte no pescoço pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), que apagou um incêndio no 1º Regimento de Cavalaria de Guardas (RGC), no Setor Militar Urbano. Em nota, os bombeiros confirmaram que encontraram grande quantidade de combustível após extinguirem as chamas.
“No local, havia grande quantidade de material combustível. As edificações vizinhas foram resfriadas, evitando que o fogo se propagasse. O incêndio foi rapidamente controlado e, durante a fase de resfriamento dos materiais queimados, os socorristas encontraram um corpo carbonizado, do sexo feminino, ainda não identificado”, informou o CBMDF.
EXCLUSÃO DO EXÉRCITO
O Exército informou que o soldado foi preso em flagrante imediatamente após a confissão. Segundo o Centro de Comunicação Social do Exército, foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM). O criminoso confesso deverá ser excluído da Força Militar.
A corporação informou estar prestando assistência à família. “O Exército Brasileiro presta total apoio à família e lamenta profundamente a perda da cabo Maria de Lourdes de Freire Matos e reitera a sua posição de não coadunar com atos criminosos e punir com rigor os responsáveis”, destacou.
ONDA DE FEMINICÍDIOS

Fotos: Reprodução
O caso soma-se a uma onda de feminicídios recentes que abalaram o País. No último dia 28, duas funcionárias de um Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) no Rio de Janeiro foram mortas a tiros por um funcionário da mesma instituição de ensino, que se matou em seguida.
Na capital paulista, uma mulher de 31 anos teve as pernas severamente mutiladas após ser atropelada e arrastada, por cerca de um quilômetro no último sábado, 29, enquanto ainda estava presa embaixo do veículo. Também em São Paulo, um homem atirou com duas armas, contra sua ex-companheira na pastelaria em que ela trabalhava na última segunda-feira, 1º.
No Recife, um homem de 39 anos foi preso em flagrante também no sábado, suspeito de provocar um incêndio que matou sua esposa, grávida, e os quatro filhos do casal.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou a onda de feminicídios nesta semana. Em discurso em Pernambuco na última terça-feira, 2, ele pediu o engajamento dos homens para mudar a cultura da violência de gênero que predomina na sociedade.
Fonte:Cenarium
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