Dois agentes são acusados de descumprir procedimentos durante o atendimento à colisão que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, em São Paulo; empresário Fernando Sastre também responde pelo caso.Dois agentes são acusados de descumprir pr
A Justiça Militar de São Paulo tornou réus dois policiais militares que atenderam à ocorrência do acidente envolvendo um Porsche 911 e um Renault Sandero, que resultou na morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos. A colisão aconteceu em 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, na zona leste da capital paulista.
Os agentes são acusados de descumprir normas e procedimentos operacionais durante o atendimento da ocorrência. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), os policiais permitiram que o empresário Fernando Sastre Filho, que dirigia o Porsche, deixasse o local sem realizar o teste do bafômetro, apesar dos sinais de embriaguez relatados no caso.
De acordo com a denúncia, a liberação ocorreu após um pedido da mãe do empresário, sob a justificativa de que ele seria levado a um hospital. Fernando só compareceu à delegacia cerca de 36 horas depois do acidente. Para a Promotoria, a conduta dos policiais prejudicou a apuração dos fatos.
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Os dois militares foram denunciados pelo crime de inobservância de lei, regulamento ou instrução, previsto no artigo 324 do Código Penal Militar.
Na acusação, o Ministério Público aponta que os agentes deixaram de cumprir procedimentos obrigatórios para ocorrências de trânsito com vítimas. Entre as falhas mencionadas estão a preservação do local do acidente, a oferta do teste do bafômetro e o acionamento adequado das câmeras corporais.
A Promotoria sustenta que essas omissões comprometeram a investigação sobre as circunstâncias da colisão e a possível responsabilidade criminal do motorista do Porsche.
Imagens das câmeras corporais dos policiais registraram parte do atendimento. Em um dos registros divulgados anteriormente, a policial militar Dayse Aparecida Cardoso Romão aparece explicando, durante uma ligação telefônica, os motivos para permitir que Fernando deixasse o local sem escolta.
Os registros também mostram o empresário saindo acompanhado da mãe, sob a justificativa de que procuraria atendimento médico.
COMO ACONTECEU O ACIDENTE COM O PORSCHE
A colisão ocorreu na madrugada de 31 de março de 2024. Na ocasião, Fernando Sastre Filho, então com 24 anos, dirigia um Porsche 911 pela Avenida Salim Farah Maluf, na zona leste de São Paulo.
Segundo relatos de testemunhas, o empresário tentou realizar uma ultrapassagem em alta velocidade e atingiu a traseira do Renault Sandero conduzido por Ornaldo da Silva Viana.
O motorista de aplicativo sofreu ferimentos graves e foi levado ao Hospital Municipal do Tatuapé. Na unidade de saúde, teve uma parada cardiorrespiratória e morreu. A causa da morte foi registrada como traumatismos múltiplos.
Após a batida, Fernando deixou o local do acidente. O caso passou a ser investigado pelas autoridades, e o empresário acabou respondendo criminalmente pela ocorrência.
OUTRA VÍTIMA FICOU GRAVEMENTE FERIDA
Além da morte de Ornaldo, o acidente deixou ferido o estudante Marcus Vinicius Machado Rocha, que estava no Porsche como passageiro.
Marcus sofreu fraturas em quatro costelas, precisou ser hospitalizado e teve o baço retirado. Em decorrência dos ferimentos provocados pela colisão, ele precisou ser internado duas vezes.
Fernando Sastre Filho responde por homicídio qualificado pela morte do motorista de aplicativo e por lesão corporal gravíssima em relação ao passageiro ferido.
O julgamento do empresário pelo Tribunal do Júri estava previsto para esta quarta-feira (28), conforme as informações divulgadas na reportagem original.
INVESTIGAÇÃO APONTOU POSSÍVEL INFLUÊNCIA DA LIBERAÇÃO
Segundo a denúncia do Ministério Público, a decisão dos policiais de liberar Fernando sem submetê-lo ao teste do bafômetro e sem preservar adequadamente os procedimentos da ocorrência dificultou a coleta de elementos importantes para a investigação.
Antes do acidente, Fernando e amigos, acompanhados de suas respectivas namoradas, estiveram em um restaurante, onde o grupo teria consumido nove drinques. Depois, seguiram para uma casa de pôquer que funcionava no sistema open bar.
Essas informações integram o contexto investigado pelas autoridades sobre as circunstâncias da colisão.
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A defesa de Fernando Sastre Filho não havia sido localizada para comentar as informações na publicação original. O espaço permanece aberto para manifestação.