Um dos maiores nomes da história do jiu-jítsu brasileiro, Kyra Gracie decidiu quebrar o silêncio e denunciar episódios de assédio que afirma ter presenciado ao longo de sua trajetória no esporte. Em um vídeo publicado em seu canal no YouTube na quarta-feira (4), a atleta classificou o problema como estrutural e afirmou que o medo sempre impediu muitas mulheres de se manifestarem.
Com o título “Assédio no jiu-jítsu: o que sempre soubemos e ninguém combateu”, o vídeo, de pouco mais de oito minutos, marca, segundo Kyra, uma decisão pessoal de não se calar mais. Pentacampeã mundial com kimono e tricampeã sem kimono, ela disse que tornar pública sua vivência foi libertador.
No relato, Kyra afirmou que acredita ter sido parcialmente protegida por carregar um sobrenome tradicional do jiu-jítsu. Ainda assim, contou que viveu situações desconfortáveis desde jovem. Um dos episódios aconteceu quando tinha cerca de 18 ou 19 anos, ao ser abordada por um homem mais velho que dizia querer patrociná-la, mas fez comentários de cunho sexual. Segundo a atleta, o ambiente hostil e o receio de represálias contribuíram para que ela permanecesse em silêncio por anos.
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“Não são casos isolados, é uma cultura”, afirmou. Ao longo do vídeo, Kyra diz ter testemunhado centenas de situações semelhantes envolvendo outras mulheres no esporte. Para ela, o silêncio imposto às atletas acaba funcionando como um mecanismo de proteção aos agressores e de perpetuação do problema.
A lutadora reconheceu que pode ser criticada por falar agora, após tantos anos, mas defendeu que romper o silêncio é essencial para interromper um ciclo que, segundo ela, se mantém há décadas dentro do jiu-jítsu.
A manifestação de Kyra ocorre poucos dias depois de vir à tona uma acusação contra André Galvão, um dos treinadores mais conhecidos do jiu-jítsu mundial. Alexa Herse, de 18 anos, aluna da academia Atos, em San Diego, nos Estados Unidos, afirmou ter sido tocada de forma inapropriada durante treinos e relatou comentários recorrentes sobre seu corpo. A jovem registrou queixa na polícia.
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Galvão negou as acusações em publicações nas redes sociais, classificando-as como falsas e afirmando que recorrerá à Justiça para, segundo ele, proteger a integridade da academia. O caso segue sob investigação.