Mohamed Hamdan Dagalo e outros 15 integrantes das RSF foram sentenciados por crimes ligados ao conflito em Darfur, em meio à guerra civil que devasta o país africano.
O líder das Forças de Apoio Rápido (RSF), Mohamed Hamdan Dagalo, foi condenado à pena de morte por enforcamento por um tribunal do Sudão. A sentença foi proferida pelo Tribunal Antiterrorismo e Crimes contra o Estado, sediado em Porto Sudão, e também alcançou outros 15 integrantes do grupo armado.
Dagalo foi considerado culpado pelo assassinato de Khamis Abbakar, ex-governador da região de Darfur Ocidental, sequestrado e morto em 2023 durante a escalada dos confrontos entre as forças militares do país.
Na decisão, o tribunal afirmou que os crimes atribuídos aos condenados configuram crimes contra a humanidade, alegando que os ataques foram realizados de forma sistemática contra a população civil. A sentença cita mortes de mulheres, crianças, idosos e pacientes em hospitais, além de acusar o grupo de promover perseguições contra um grupo étnico específico.
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Mohamed Hamdan Dagalo é uma das principais figuras da guerra civil que assola o Sudão desde 2023. O conflito entre as Forças de Apoio Rápido (RSF) e as Forças Armadas Sudanesas (SAF) provocou uma das maiores crises humanitárias do mundo, com milhões de pessoas deslocadas e graves impactos sobre a população civil.
A instabilidade no país teve início após a queda do ex-presidente Omar al-Bashir, em 2019, encerrando quase três décadas de governo. Após sua deposição, foi criado um governo de transição formado por civis e militares, mas o acordo foi rompido em 2021 após um golpe de Estado.
Na sequência, o país passou a ser administrado por um conselho liderado pelo comandante das Forças Armadas Sudanesas, Abdel Fattah al-Burhan, em parceria com as RSF de Dagalo. A aliança, no entanto, entrou em colapso cerca de dois anos depois devido a divergências políticas e disputas pelo controle do poder.
Desde então, o Sudão vive uma guerra marcada por intensos combates e denúncias de violações de direitos humanos. Organizações internacionais acusam tanto as Forças Armadas quanto as RSF de cometer crimes de guerra durante o conflito.
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Apesar das tentativas de mediação promovidas pelos Estados Unidos e outros atores internacionais para estabelecer um cessar-fogo e iniciar negociações de paz, os esforços ainda não resultaram em um acordo capaz de encerrar a guerra que continua agravando a crise humanitária no país.