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Líder indígena da Amazônia ganha Prêmio Internacional da Paz por defender a floresta e a cultura ancestral
Foto: Divulgação/Cartas Indígenas Brasil

Líder espiritual do povo Ashaninka, na Amazônia brasileira, Benki Piyãko é anunciado como o vencedor do 43º Prêmio Niwano da Paz

O líder espiritual do povo Ashaninka, Benki Piyãko, foi anunciado como vencedor do 43º Prêmio Niwano da Paz, concedido pela Fundação Niwano da Paz, sediada em Tóquio. O reconhecimento internacional ocorre poucos dias após a divulgação de um novo caso de violência contra indígenas no Vale do Javari, região marcada pelo assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips em 2022.

 

Ao anunciar o prêmio, a fundação destacou a atuação constante de Benki na defesa das terras e da cultura indígena, além do pioneirismo em projetos de reflorestamento e proteção ambiental ao longo dos últimos quinze anos. A organização também ressaltou o papel do líder indígena na cooperação internacional para enfrentar a crise climática e ambiental.

 

Em mensagem enviada após o anúncio, Benki Piyãko afirmou que o mundo vive um momento de devastação marcado por guerras, destruição ambiental e disputas de poder. Segundo ele, os povos indígenas têm muito a ensinar sobre respeito à natureza e equilíbrio com o planeta.

 

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O líder afirmou que as comunidades indígenas sempre foram guardiãs da biodiversidade e que a verdadeira riqueza não está na exploração de recursos naturais, mas na sobrevivência e no cuidado com a floresta. Ele também criticou o cenário global de violência e disse que é preciso buscar caminhos baseados em consciência e valores.

 

Morador do Acre, Benki conta que começou a acompanhar ainda criança, nos anos 1980, a luta de sua família pela demarcação do território indígena. Essas experiências ajudaram a formar sua visão sobre a importância da proteção da terra e da preservação da cultura ancestral.

 

Benki Piyãko é fundador do Instituto Yorenka Tasorentsi e da Conferência Indígena de Ayahuasca. Seu trabalho envolve educação, restauração ecológica comunitária e transmissão de conhecimentos tradicionais, mobilizando jovens e comunidades indígenas na preservação da Floresta Amazônica.

 

Segundo ele, as iniciativas já ultrapassaram as fronteiras do Brasil. Projetos liderados por sua organização colaboram com comunidades no Peru e participam de iniciativas ambientais em países como França, Inglaterra, Itália, México e Estados Unidos.

 

Para o líder indígena, a relação entre os povos da floresta e a natureza é profundamente espiritual. Ele compara a floresta a uma mãe e os rios às veias do corpo humano, destacando que toda essa diversidade sustenta a vida na Terra.

 

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A cerimônia de entrega do Prêmio Niwano da Paz acontecerá em 12 de maio, em Tóquio. Além do reconhecimento internacional, o prêmio inclui 20 milhões de ienes, cerca de R$ 654 mil. 

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