Em série de publicações nas redes sociais, aiatolá Ali Khamenei apresentou-se como vencedor do conflito
Em sua primeira manifestação desde o cessar-fogo entre Israel e Irã, o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, reivindicou a vitória no conflito de 12 dias entre duas das principais forças bélicas do Oriente Médio, afirmando que a República Islâmica "praticamente nocauteou" o Estado judeu durante os combates, e deu "um duro tapa na cara" do regime americano. A proclamação da vitória veio em uma série de publicações nas redes sociais nesta quinta-feira, pouco antes de um pronunciamento ao vivo em rede nacional.
"Ofereço os meus parabéns pela vitória sobre o falacioso regime sionista. Com toda essa comoção e reivindicações, o regime sionista foi praticamente nocauteado e esmagado pelos golpes da República Islâmica", escreveu Khamenei nas publicações em sua conta oficial no X. "Meus parabéns pela vitória do nosso querido Irã sobre o regime americano.
O regime americano entrou na guerra diretamente porque sentia que, se não o fizesse, o regime sionista seria completamente destruído. Entrou na guerra na tentativa de salvar o regime, mas não conseguiu nada".
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A manifestação oficial do aiatolá vem após um período de quase uma semana sem ser visto ou ouvido pelo público, apesar da profunda crise enfrentada pelo país. Enquanto a nação persa era bombardeada por Israel e mesmo pelos EUA, Khamenei — que, segundo autoridades, tem se abrigado em um bunker e se abstido de comunicação eletrônica para evitar tentativas de assassinato contra ele — permaneceu ausente, sem fazer declarações públicas ou mensagens gravadas. Sua ausência surpreendeu e incomodou a todos, desde lideranças nos círculos políticos até o povo na rua.
Isso não impediu o aiatolá de apresentar as ações iranianas como uma vitória contra os dois maiores inimigos da revolução. Especificamente sobre os EUA, com quem o país não tem relações formais desde a Revolução Islâmica de 1979, o líder supremo afirmou que o bombardeio conduzido com uso de bombardeiros B-2 não tiveram impacto significativo sobre o programa nuclear, enquanto descreveu o ataque contra a base americana no Catar como um grande feito.
"A República Islâmica deu um duro tapa na cara dos EUA. Atacou e infligiu danos à Base Aérea de Al-Udeid, uma das principais bases americanas na região", escreveu Khamenei.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou logo após o ataque iraniano que nenhum dano havia sido provocado contra a base americana, soldados ou equipamentos militares e agradeceu ao regime iraniano por avisá-lo antecipadamente sobre a ofensiva — uma retaliação ao bombardeio do fim de semana contra as centrais nucleares do país. No pronunciamento em rede nacional, Khamenei disse que o republicano tentou diminuir o ataque iraniano, e exagerou ao relatar o bombardeio americano.
O real dano às centrais nucleares iranianas também é objeto de uma guerra de narrativas, com o lado iraniano minimizando o impacto real sobre seu programa, enquanto os governos de EUA e Israel falam em danos significativos — embora em graus diferentes: Trump afirma que as instalações nucleares iranianas em Fordow, Natanz e Isfahã foram "totalmente destruídas", enquanto o Exército israelense foi mais cauteloso, classificando os danos infligidos como um "golpe duro" ao programa nuclear, com a ressalva de que "ainda é cedo para avaliar os resultados da operação".
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) considerou impossível calcular os danos e pediu acesso às instalações nucleares iranianas. Há também dúvida sobre o destino de cerca de 400 kg de urânio enriquecido produzido pelo Irã antes do conflito, que especialistas alertaram que o pode ter sido preventivamente retirado.
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O balanço oficial mais recente do Irã, que considera apenas as vítimas civis, informa que a campanha militar israelense deixou 627 mortos — a ONG Human Rights Activists fala em 1.054 mortes ao todo — e mais de 4 mil feridos, enquanto Israel registrou 23 mortos e 3.238 hospitalizações decorrentes de ataques. O regime iraniano também sofreu duros golpes contra seu programa nuclear e instalações militares, com bases destruídas e cerca de 30 comandantes militares e cientistas nucleares mortos.
Fonte: O Globo