Cúpula em Nova Délhi deve discutir comércio, energia e redução da dependência do dólar. Divergências sobre guerras na Ucrânia e no Oriente Médio dificultam consenso entre os países
Líderes dos países que integram o Brics se reúnem neste sábado (12), em Nova Délhi, na Índia, para uma cúpula marcada por guerras, disputas geopolíticas e aumento das tensões com os Estados Unidos. O encontro reúne nomes como o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian.
A reunião ocorre em um cenário de conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, além da crescente disputa entre Estados Unidos e China. O ambiente coloca à prova a capacidade do grupo de encontrar posições comuns, principalmente diante das diferenças entre países que mantêm relações estratégicas com Washington e outros que adotam uma postura mais crítica em relação às potências ocidentais.
Um dos principais desafios da cúpula é manter a unidade entre os integrantes. Irã e Emirados Árabes Unidos, por exemplo, possuem posições divergentes em relação ao conflito no Golfo, enquanto Índia e China tentam administrar uma relação marcada por disputas territoriais e competição estratégica. A presença de Xi Jinping na Índia também chama atenção por representar a primeira visita do líder chinês ao país em sete anos.
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Além das questões militares e diplomáticas, os países discutem comércio, investimentos, energia, segurança alimentar, tecnologia e formas de ampliar as transações realizadas em moedas nacionais. O bloco também defende mudanças em instituições internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, com o argumento de que os países emergentes precisam ter maior participação nas decisões globais.
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Apesar das divergências, os negociadores chegaram a um acordo sobre uma declaração conjunta que deve condenar agressões unilaterais sem apontar diretamente um país específico. Para a Índia, anfitriã do encontro, o objetivo é reforçar o Brics como espaço de cooperação do Sul Global, e não simplesmente como uma frente de oposição ao Ocidente. A capacidade de preservar esse consenso será um dos principais resultados observados durante a cúpula.