Acúmulo de materiais inflamáveis e liberação de gases durante a decomposição dos resíduos elevam os riscos na estação seca; fumaça pode prejudicar a saúde, enquanto o chorume ameaça águas subterrâneas.
Lixões e depósitos irregulares de resíduos sólidos representam uma ameaça ambiental no Amazonas, principalmente durante os períodos mais secos e quentes do ano. O alerta é do diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique Pereira, que destaca os riscos de incêndios, poluição do ar e contaminação do solo e dos recursos hídricos.
Segundo o pesquisador, esses locais acumulam materiais que podem entrar em combustão quando expostos a temperaturas elevadas ou fontes de ignição. Além disso, a decomposição dos resíduos pode liberar gases inflamáveis, aumentando o perigo em áreas sem estrutura adequada de controle ambiental.
O problema vai além das chamas. A queima de lixo pode liberar substâncias prejudiciais à saúde, enquanto a infiltração de líquidos contaminantes no solo pode comprometer águas subterrâneas utilizadas por comunidades para abastecimento.
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ACÚMULO DE RESÍDUOS FAVORECE INCÊNDIOS
O risco de incêndio está relacionado à quantidade e ao tipo de material descartado. Plásticos, papéis, tecidos, restos de madeira e resíduos orgânicos podem servir de combustível, especialmente em períodos de calor intenso e baixa umidade.
Durante a decomposição da matéria orgânica, também pode ocorrer a liberação de gases como o metano, que é inflamável. Em depósitos sem controle técnico, sistemas de captação de gases ou medidas adequadas de segurança, o acúmulo dessas substâncias pode contribuir para o início ou a intensificação de incêndios.
De acordo com Henrique Pereira, a queima intencional de resíduos, o descarte inadequado de materiais inflamáveis e a falta de prevenção agravam a situação.
Depois que o fogo começa, as chamas podem se espalhar pelo depósito e alcançar áreas de vegetação próximas. A propagação depende de fatores como vento, temperatura, umidade do ar e disponibilidade de materiais combustíveis.
FUMAÇA PODE CONTER SUBSTÂNCIAS TÓXICAS
A fumaça gerada pela queima de resíduos urbanos pode conter muito mais do que fuligem. Conforme os materiais atingidos pelo fogo, a combustão pode liberar partículas finas, gases tóxicos e outros compostos prejudiciais à saúde humana.
Entre os principais poluentes está o material particulado fino PM2,5, composto por partículas com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros. Por serem muito pequenas, elas conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório e agravar problemas de saúde.
A queima de plásticos, tintas, pneus, óleos e outros materiais também pode liberar substâncias perigosas, como dioxinas e furanos. A composição da fumaça varia conforme os resíduos queimados e precisa ser identificada por meio de análises técnicas.
CRIANÇAS, IDOSOS E PESSOAS DOENTES EXIGEM ATENÇÃO
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos mais vulneráveis à poluição provocada pelos incêndios.
A exposição à fumaça pode causar irritação nos olhos e na garganta, tosse, dor de cabeça e falta de ar. Também pode agravar condições como asma e bronquite, além de outros problemas crônicos.
Durante episódios de fumaça intensa, a orientação é reduzir a permanência ao ar livre, evitar exercícios físicos em ambientes externos e manter a hidratação. Quando houver necessidade de sair, máscaras do tipo PFF2 ou N95 podem ajudar a reduzir a inalação de partículas finas, desde que utilizadas corretamente.
Pessoas que apresentarem falta de ar intensa, dor no peito ou agravamento repentino dos sintomas devem procurar atendimento médico.
CHORUME AMEAÇA O SOLO E A ÁGUA
Mesmo quando não há incêndios, os depósitos irregulares podem causar danos ambientais. Durante as chuvas, a água que atravessa os resíduos forma o chorume, líquido que pode carregar microrganismos, substâncias químicas e metais presentes no lixo.
Quando o terreno não possui impermeabilização nem sistemas adequados de coleta e tratamento, o líquido pode infiltrar no solo e alcançar lençóis freáticos e aquíferos.
O risco preocupa especialmente comunidades que dependem de poços para obter água. A presença de contaminantes pode comprometer a qualidade desse recurso, e a identificação dos impactos exige análises específicas do solo e da água.
PERÍODOS SECO E CHUVOSO APRESENTAM RISCOS DIFERENTES
Na estação seca, a principal preocupação é a ocorrência de incêndios, a propagação das chamas e a deterioração da qualidade do ar. Já durante o período chuvoso, aumenta a possibilidade de formação de chorume e de transporte de contaminantes para o solo e as águas subterrâneas.
Diante desse cenário, o controle dos depósitos irregulares exige ações permanentes, como fiscalização, destinação ambientalmente adequada dos resíduos, separação de materiais inflamáveis, controle de gases e monitoramento da qualidade do ar, do solo e da água.
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O alerta do diretor-geral do Inpa reforça a importância da prevenção e do acompanhamento técnico dessas áreas. A confirmação das causas de cada incêndio e da eventual existência de contaminação, no entanto, depende de perícias e estudos específicos.