Campeão mundial de slalom retorna ao esporte representando o país da mãe e defendendo a liberdade de expressão no alto rendimento.
O esquiador Lucas Pinheiro Braathen construiu uma carreira marcada por vitórias, mudanças e, sobretudo, pela busca constante por autenticidade. Aos 25 anos, o atleta nascido em Oslo decidiu competir sob a bandeira brasileira nos Jogos Olímpicos de Inverno, decisão que reflete tanto sua trajetória familiar quanto o desejo de viver o esporte sem abrir mão da própria identidade.
Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Braathen passou a infância entre países e culturas. Após a separação dos pais, viveu inicialmente com a mãe em São Paulo, antes de se mudar para a Europa com o pai, que o apresentou ao esqui alpino. A vida itinerante marcou sua juventude: até os 22 anos, o atleta havia mudado de cidade 21 vezes, adaptando sotaques, costumes e hábitos a cada novo lugar.
A busca por pertencimento influenciou diretamente sua relação com o esporte. Fã de futebol e admirador de Ronaldinho Gaúcho, Lucas não pensava em seguir carreira na neve. Com o tempo, porém, encontrou no esqui uma forma de expressão pessoal ainda que seu estilo vibrante e espontâneo nem sempre se encaixasse nos padrões tradicionais da modalidade, conhecida pela disciplina e formalidade.
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O talento falou mais alto. Representando a Noruega, Braathen conquistou em 2023 o título da Copa do Mundo de esqui alpino na prova de slalom, consolidando-se entre os grandes nomes da modalidade. Pouco depois, surpreendeu ao anunciar a aposentadoria precoce, motivada por divergências com a federação norueguesa, que, segundo ele, limitava sua liberdade de expressão.
O afastamento das pistas durou pouco. Em 2024, o esquiador confirmou o retorno às competições, desta vez defendendo o Brasil, em parceria com a Confederação Brasileira de Desportos na Neve. A mudança trouxe mais autonomia: Lucas passou a ter sua própria equipe, patrocinadores independentes e liberdade para explorar outras facetas, como a música e o design, além de celebrar vitórias com elementos que se tornaram sua marca botas de caubói, unhas pintadas e samba no pódio.
Fora das pistas, o atleta compartilha momentos da vida pessoal nas redes sociais, incluindo o relacionamento com a atriz brasileira Isadora Cruz. Para ele, representar o Brasil vai além do esporte. O esquiador afirma que deseja ampliar a aceitação da diversidade no ambiente esportivo e inspirar outras pessoas a serem autênticas.
Agora vestindo verde e amarelo, Braathen disputará as provas de slalom e slalom gigante nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, chegando como um dos principais nomes do circuito mundial. Atualmente, ocupa a segunda colocação nas duas modalidades na Copa do Mundo.
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Entre medalhas, identidade e representatividade, o esquiador quer mostrar que é possível competir em alto nível sem deixar de ser quem se é.