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Lula, Xi Jinping e soldados de 13 países: Líderes de 29 nações devem participar de celebração do Dia da Vitória em Moscou
Foto: Reprodução

O Kremlin anunciou nesta terça-feira que 29 líderes estrangeiros, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu homólogo chinês, Xi Jinping, estarão em Moscou na sexta-feira para o Desfile da Vitória, planejado pela Rússia para comemorar o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. Soldados de 13 países, incluindo da China, também desfilarão no evento, segundo Yuri Ushakov, assessor diplomático do presidente russo, Vladimir Putin.

 

Estarão presentes os líderes da Indonésia, Burkina Faso, Bósnia, Cuba, Vietnã, Egito, Zimbábue, Iraque, Congo, Mianmar, Etiópia e Guiné Equatorial, que se juntarão aos aliados tradicionais da Rússia na Ásia Central. Também é esperada a presença do premier eslovaco, Robert Fico, que desafia a posição da União Europeia (UE).

 

A iniciativa é vista com expectativa porque pode ser uma oportunidade para o governo russo reunir apoio para a sua ofensiva contra a Ucrânia. Para as comemorações da data, Putin ordenou um cessar-fogo unilateral de 8 a 10 de maio. Kiev, que resiste às tropas russas desde fevereiro de 2022, não declarou claramente se pretende respeitar a trégua, com o presidente ucraniano, Volodymr Zelensky, afirmando que a Rússia deveria “se preocupar” com a segurança do desfile.

 

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Nesta terça-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que as forças russas responderão “imediatamente e de forma adequada” se a Ucrânia atacar durante a trégua declarada pelo presidente. A declaração foi feita no mesmo dia em que Kiev lançou um ataque massivo com mais de 100 drones contra a Rússia, direcionado principalmente contra Moscou. Não está claro se a ofensiva, que forçou o fechamento de quatro aeroportos na região, vai afetar o acesso dos líderes mundiais ao evento.

 

— A iniciativa do presidente Putin para um cessar-fogo temporário [continua em vigor] — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. — Se o regime de Kiev não fizer o mesmo e continuar tentando golpear nossas posições ou instalações, se dará imediatamente uma resposta adequada.

 

O governo russo planeja cerimônias de uma escala sem precedentes para comemorar a data. As ruas de Moscou estão adornadas com as cores nacionais há vários dias, e muitas lojas e restaurantes colocaram cartazes incentivando as pessoas a lembrar da vitória de 1945 e se sentirem orgulhosas. A Segunda Guerra, que ceifou mais de 20 milhões de vidas na União Soviética, causou um trauma que ainda é sentido na sociedade e alimentou um patriotismo amplamente explorado pelo presidente.

 

Nos últimos três anos, Putin evocou com frequência as memórias da vitória sobre a Alemanha nazista para defender sua ofensiva militar contra a Ucrânia, alegando que a Rússia quer “desnazificar” o país vizinho, do qual ainda ocupa cerca de 20% do território. Ao mesmo tempo, desde o início do ataque à Ucrânia, o governo russo proibiu qualquer crítica às Forças Armadas russas, intensificando a repressão que levou à prisão de centenas de pessoas e ao exílio de milhares.

 

A Ucrânia criticou as comemorações de 9 de maio na Rússia, afirmando que elas “não têm nada a ver com a vitória sobre o nazismo” e que os soldados em marcha estão “muito provavelmente” envolvidos em crimes contra ucranianos. Embora ambos os lados tenham sido acusados de crimes de guerra, a Rússia enfrenta um volume significativamente maior de denúncias.

 

A visita de Xi Jinping a Moscou exibirá os laços estreitos do chinês com o líder russo em meio à guerra comercial que vem isolando os EUA. Durante sua viagem, que começará na quarta-feira, o presidente realizará seu primeiro encontro presencial com Putin desde que Donald Trump impôs as tarifas mais altas do país em um século. Ele também estará na Praça Vermelha durante o desfile – um sinal de que a recente distensão entre Washington e Moscou não afetou a relação entre Xi e Putin.

 

— O ponto-chave da agenda é entender quais oportunidades existem e como coordenar as ações da Rússia e da China para usar esses quatro anos [do governo Trump] para desmantelar a hegemonia dos Estados Unidos — disse Alexander Gabuev, diretor do Carnegie Russia Eurasia Center, acrescentando que os dois líderes querem “ajudar Trump a destruir a supremacia americana e alcançar uma ordem mundial multipolar onde Rússia e China possam prosperar”.

 

Putin e Xi realizarão conversas bilaterais em 8 de maio, abordando temas como a guerra na Ucrânia, as relações Rússia-EUA e a cooperação no grupo dos BRICS e no G20, segundo informado por Ushakov, o assessor de política externa do Kremlin, à agência de notícias russa Interfax. Eles discutirão questões econômicas e energéticas, incluindo o proposto gasoduto Força da Sibéria 2, e divulgarão declarações conjuntas.

 

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— A presença de Xi no desfile é um sinal de solidariedade com a Rússia — disse disse Fyodor Lukyanov, presidente do Conselho de Política Externa e de Defesa, que assessora o Kremlin. — Isso mostra que a parceria entre Rússia e China está se desenvolvendo independentemente dos esforços de Washington.

 

Fonte: O Globo

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