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Lula amplia crédito com taxas favorecidas em terceiro mandato, preocupa Banco Central e pressiona juros
Foto: Reprodução

Presidente reforçou e criou novas linhas de crédito. O aumento do crédito com juros subsidiados faz o BC manter a Selic em um patamar maior para ter o mesmo efeito sobre a economia

O chamado crédito direcionado, que conta com juros menores, voltou a subir no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo números do Banco Central.

 

O aumento dessa modalidade faz o Banco Central (BC) manter a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em um patamar maior.

 

O crédito direcionado é um financiamento em que os recursos têm uma finalidade específica obrigatória, regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Esses empréstimos têm juros menores e prazos mais longos e destinam-se a atividades setoriais, como imobiliária, rural e de infraestrutura.

 

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O crédito direcionado possui taxas menores por ter subsídio do governo, fontes mais baratas de recursos e garantias públicas.

 

O próprio BC, responsável por fixar o juro básico da economia para conter a inflação, explica que esse é um fator que pressiona para cima a taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Em termos reais, é o segundo juro mais alto do mundo.

 

A Selic representa os juros cobrados entre bancos e serve de referência para diversas taxas aplicadas ao consumidor. O crédito fica mais caro quando ela sobe, o que reduz o o consumo, investimentos e contratações. Isso ajuda a conter a inflação. Já a queda da Selic barateia o crédito e estimula a atividade econômica.

 

"O aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade", informa a ata última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que é responsável por definir a Selic, em 29 de abril.
A explicação é que o BC tem de manter a taxa Selic em um patamar mais elevado do que o normal porque boa parte do crédito em mercado não está atrelado à taxa básica da economia.

 

Esse tipo de crédito teve um aumento no terceiro mandato do presidente Lula, após queda durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). (veja mais detalhes)

 

As principais linhas de crédito direcionado são:

 

empréstimos para compra da casa própria;


crédito rural e as linhas operacionalizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao setor produtivo;


linhas com garantias oferecidas pelo governo, como o Pronampe e o FGI, e para segmentos específicos.


Na série histórica do Banco Central, que tem início em março de 2011, a taxa média de juros do crédito direcionado somou 9,3% ao ano, até março de 2026.

 

Ao mesmo tempo, a taxa média dos empréstimos normais, que não têm juros favorecidos, somou 38,8% ao ano no mesmo período.

 

Com isso, a taxa média de juros do crédito com recursos livres foi cerca de quase quatro vezes maior do que a do crédito direcionado entre março de 2011 e o mesmo mês deste ano.

 

AUMENTO NO GOVERNO LULA


De acordo com a série histórica do BC, as linhas de empréstimos subsidiadas, ou seja, que estão abaixo das taxas de mercado, representaram 43,1% do volume total em mercado em março deste ano, o maior nível desde o fim de 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro.

 

Analistas observam que, diante dos limites para gastos da regra fiscal, o governo Lula tem aumentado as linhas de crédito com juros favorecidos em um ano eleitoral, dificultando a queda da taxa básica e, consequentemente, das linhas de empréstimos para os demais setores da economia.

 

No terceiro mandato de Lula, o movimento de crescimento do crédito direcionado se intensificou com a proximidade das eleições, foram anunciadas linhas de crédito com juros mais baratos, impulsionando o crédito direcionado, para:

 

Máquinas agrícolas;
Minha Casa, Minha Vida;
Taxistas e motoristas de aplicativos;
Plano Safra;
Caminhões e ônibus;
Microempreendedores de baixa renda;
Setores afetados pelo tarifaço e guerra no Oriente Médio;
Programa para reforma de imóveis;
Renegociação de dívidas no Desenrola 2.0;
Nova política industrial
Pessoas físicas, um novo modelo de crédito imobiliário;
Fundo Clima, para projetos de combate às mudanças climáticas;
Fundo de florestas tropicais;
Renegociação de dívida agropecuária, em curso.

 

Para Sergio Vale, economista-chefe MB Associados, em vez de injetar recursos nessa intensidade por meio de linhas de crédito específicas, o governo deveria fazer o caminho contrário: um corte de gastos mais intenso para promover a redução dos juros para todos os segmentos e setores da sociedade.

 

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"O governo escolhe o caminho que parece ser mais fácil, mas na verdade é o mais difícil. Atrapalha o Banco Central e gera resultados que, muitas vezes, são só de curto prazo e são agravantes para a situação econômica do país quando a gente olha no longo prazo", avaliou.
 

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