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Lula diz que Eduardo Bolsonaro 'troca o Brasil pelo pai' e pede retaliação da Câmara contra deputado
Foto: Reprodução

Em evento em Osasco (SP), nesta sexta-feira, presidente declarou ainda que Trump foi induzido a acreditar em mentira de que Bolsonaro está sendo perseguido

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (25), que o presidente americano, Donald Trump, estaria sendo julgado pelo Supremo da mesma forma que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) caso as invasões do Capitólio tivessem ocorrido no Brasil. O petista declarou que Trump foi induzido por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a acreditar numa “mentira de que Bolsonaro está sendo perseguido” e cobrou atitudes da Câmara contra o deputado federal licenciado, que está nos Estados Unidos.

 

— Temos políticos aqui no Brasil que tomaram para eles a bandeira nacional, a camisa da seleção brasileira e se diziam patriotas — disse. — Esses mesmos cidadãos estão agora agarrados nas botas do presidente dos Estados Unidos pedindo intervenção no Brasil, numa total falta de patriotismo. Junta a falta de patriotismo com sem-vergonhice e com traição. Estão pedindo para Trump aumentar as taxas. Estão trocando o Brasil pelo pai. Que patriota é esse? — disse

 

A fala ocorreu durante anúncio de investimentos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para urbanização de favelas, no Jardim Rochdale, em Osasco (SP). A política reedita um dos principais programas do petista nos primeiros mandatos, agora com recorte e slogan de “periferia viva”.

 

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— É uma pena que tenha gente que não tem um pingo de caráter e vergonha na cara. Se o presidente Trump tivesse ligado pra mim eu certamente explicaria para ele o que acontece com o ex-presidente. Mas ele foi induzido a acreditar numa mentira de que Bolsonaro está sendo perseguido. Bolsonaro está sendo julgado com todo direito de defesa. Ele tentou dar um golpe no Brasil e chegou a montar uma equipe para matar o Lula, o Alckmin e o Alexandre de Moraes. Se o presidente Trump morasse no Brasil e tivesse feito aqui o que ele fez no Capitólio dos Estados Unidos, ele também estaria sendo julgado — afirmou Lula.

 

O governo esteve representado também pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e pelos ministros Jader Filho (MDB), de Cidades, Márcio França (PSB), de Empreendedorismo, e Rui Costa (PT), da Casa Civil. Outro presente foi o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL).

 

Lula e Alckmin com a bandeira brasileira durante ato em Osasco — Foto: Reprodução / YouTube

Lula e Alckmin com a bandeira brasileira durante

ato em Osasco (Foto: Reprodução / YouTube)
 

Lula voltou a usar no palanque a frase “salva meu pai” em tom de deboche a Eduardo, que viralizou nas redes sociais e virou música eletrônica — na versão "defende meu pai". Em outros momentos, lembrou da atuação sindical em Osasco, da origem pobre e das fraudes nas aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), de modo a delegar a responsabilidade a terceiros.

 

— Montaram uma quadrilha pra roubar aposentado, e ontem começamos a devolver o dinheiro de todos que foram lesados nesse país — disse ele, tentando reverter o desgaste político da operação deflagrada pela Polícia Federal este ano. O esquema teria começado em 2019, segundo as investigações, mas continuou durante a gestão do ex-ministro Carlos Lupi (PDT), nomeado por Lula.

 

Em uma crítica indireta ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula disse ainda que o Brasil está, sim, negociando com os Estados Unidos para reverter o “tarifaço”. Argumentou que criou um comitê liderado por Alckmin.

 

— Ele é o meu negociador — falou.

 

Alckmin tem sido especulado dentro do PT como candidato ao governo de São Paulo ou ao Senado, mas resiste em deixar a chapa presidencial de 2026. Aliados dizem que ele ganhou pontos ao protagonizar as negociações envolvendo o “tarifaço” do presidente americano. França, por sua vez, tenta ocupar a lacuna da possível candidatura estadual.

 

No final do ato, Lula pegou uma bandeira brasileira da plateia e a estendeu no palco, junto do vice-presidente. O governo federal tem investido no uso do verde e amarelo e da bandeira do Brasil na estética de peças publicitárias, em falas do petista e em eventos presidenciais.

 

— Quem tá segurando essa bandeira são os verdadeiros donos desse país, o povo brasileiro — disse Lula, em Osasco.

 

URBANIZAÇÃO DE FAVELAS


O governo planeja investir R$ 4,7 bilhões na urbanização de 49 comunidades de periferia em todo o país. O Jardim Rochdale, por exemplo, recebe uma segunda fase de obras, com a promessa de construção ou reforma de 485 moradias até o final do ano, enquanto as favelas 13 e do Limite, ambas também em Osasco, passam a ser atendidas.

 

Lula visita área que será atendida por programa federal em Osasco — Foto: Ricardo Stuckert / Divulgação Governo Federal

Lula visita área que será atendida por programa federal em Osasco

(Foto: Ricardo Stuckert / Divulgação Governo Federal)
 

Os projetos são financiados pela Caixa a partir de projetos apresentados pelos municípios e incluem recursos de programas como o “Minha Casa, Minha Vida”. As melhorias envolvem ainda construção de praças e outros equipamentos públicos, drenagem, canalização, contenção de encostas e pavimentação, além da entrega de títulos fundiários e aluguel social para quem precise deixar a área.

 

Essas obras são fundamentais porque trazem dignidade, trazem uma moradia de qualidade e tiram as pessoas desse processo de beira de canal e tantas outras que acabam vivendo numa condição muito ruim - disse o ministro das Cidades, Jader Filho (MDB).

 

Quase metade dos recursos são direcionados a São Paulo. Segundo o ministro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi convidado para o evento. O possível adversário de Lula nas eleições de 2026 preferiu cumprir agendas próprias em Boituva, para entrega de moradias populares da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e inauguração de uma Escola Técnica Estadual (Etec). O prefeito da cidade, Gerson Pessoa (Podemos), aliado de Tarcísio, foi à cerimônia e recebeu vaias na entrada e ao discursar no palco.

 

O público era formado por militantes do PT e moradores beneficiados. Houve gritos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) antes do evento. “1, 2, 3… Bolsonaro no xadrez”, disseram. Nos arredores, alguns transeuntes reclamaram da estrutura do evento que impedia o acesso mais rápido a uma das principais ruas do bairro.


Outros integrantes do governo aproveitaram o evento para criticar Bolsonaro e discursar em tom eleitoral. Rui Costa, por exemplo, se referiu ao governo anterior como o “daquela coisa”

 

— O povo brasileiro hoje diz em alma e bom som: “Lula, nós queremos que você defenda o nosso Brasil contra aqueles falsos patriotas que baixam a cabeça e traem o Brasil”. O povo definitivamente está acordando e vendo quem é patriota, quem defende as pessoas e o Brasil daqueles que defendem os seus interesses.

 

Alckmin também mencionou indiretamente a crise do “tarifaço”:

 

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— Alguns trabalham contra o Brasil e o povo brasileiro, contra a nossa economia. O presidente Lula trabalha com o povo, pelo povo e para o povo — falou.

 

Fonte: O Globo

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