Diretor, escritor e gestor cultural faleceu aos 86 anos após complicações respiratórias; legado marcou gerações do cinema nacional e latino-americano.
O cinema brasileiro perdeu nesta terça-feira (9) uma de suas figuras mais importantes. Morreu, aos 86 anos, Orlando Senna, cineasta, roteirista, escritor, jornalista e gestor cultural que ajudou a transformar a história do audiovisual no Brasil e na América Latina.
Segundo familiares, o artista apresentou um quadro de broncopneumonia nos últimos dias, o que provocou complicações pulmonares. Na manhã desta terça-feira, ele foi encaminhado para uma unidade de saúde em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde chegou a ser intubado. Apesar dos esforços médicos, não resistiu.
Natural de Lençóis, na Bahia, Orlando Senna construiu uma trajetória marcada pela inovação, pela defesa da cultura e pelo compromisso com o fortalecimento do cinema brasileiro. Ao longo de décadas, participou de produções que se tornaram referências no país, incluindo o clássico "Iracema, Uma Transa Amazônica", obra reconhecida internacionalmente por abordar os impactos sociais da ocupação da Amazônia durante o período da ditadura militar.
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Além das telas, Senna teve atuação destacada na gestão pública. Entre 2003 e 2007, ocupou o cargo de secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, período em que liderou iniciativas voltadas à democratização do acesso aos recursos destinados ao setor cultural.
O cineasta também participou da criação da TV Brasil e exerceu funções importantes na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), contribuindo para o fortalecimento da comunicação pública no país.
Outro marco de sua trajetória foi a fundação da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba, ao lado de importantes personalidades da cultura latino-americana, tornando-se referência na formação de novos profissionais do audiovisual.
A morte de Orlando Senna gerou forte comoção entre artistas, cineastas, produtores culturais e admiradores de sua obra. Nas redes sociais, diversas homenagens destacaram sua contribuição para o cinema, sua generosidade e sua dedicação à formação de novas gerações.
Pouco mais de um mês antes de sua morte, o cineasta recebeu uma grande homenagem em vida durante uma mostra retrospectiva realizada no Rio de Janeiro. O evento reuniu exibições de filmes, debates e encontros com amigos e admiradores, celebrando uma carreira que atravessou décadas e deixou marcas profundas na cultura brasileira.
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Com sua partida, o Brasil perde um dos maiores pensadores e realizadores do audiovisual, mas deixa um legado que continuará inspirando cineastas e amantes da cultura por muitas gerações.