Enquanto investigação segue sob sigilo, jovem mantém batalha judicial para retirar o nome da mãe de sua certidão de nascimento.
A mãe da biomédica Heloisa Rodrigues, de 28 anos, prestou depoimento à Polícia Civil de São Paulo e negou todas as acusações de maus-tratos, negligência e exploração sexual feitas pela filha. O depoimento integra o inquérito que investiga as denúncias apresentadas pela jovem, cujo caso ganhou repercussão nacional após ela recorrer à Justiça para tentar retirar o nome da mãe de sua certidão de nascimento.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), o inquérito foi conduzido pelo 46º Distrito Policial, em Perus, e encaminhado ao Poder Judiciário em dezembro de 2025. Posteriormente, o procedimento retornou à delegacia para o cumprimento de diligências complementares e voltou a ser enviado à Justiça em junho deste ano. Em razão do sigilo judicial, a SSP informou que não divulgará novos detalhes sobre a investigação.
A disputa judicial teve início em 2024. Em primeira instância, a Justiça autorizou a retirada dos sobrenomes maternos do registro civil da biomédica, mas negou o pedido para excluir a mãe do campo de filiação da certidão de nascimento.
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Na decisão, o magistrado reconheceu que Heloisa apresentou elementos que indicam um histórico de abusos, negligência e crueldade, mas entendeu que a maternidade decorre de um vínculo biológico comprovado no nascimento, o que impediria a exclusão da filiação do documento oficial.
O caso ganhou ainda mais repercussão após Heloisa publicar um vídeo nas redes sociais, no último dia 19, questionando a decisão judicial. Na gravação, ela afirma que não compreende por que a legislação protege o vínculo registral da mãe enquanto, segundo seu relato, ela continua obrigada a carregar o nome de quem alega ter destruído sua infância.
Segundo o processo, Heloisa afirma que sofreu abusos desde os nove anos de idade. Ela acusa a mãe de permitir que ela e as duas irmãs fossem vítimas de exploração sexual por homens adultos em troca de dinheiro, além de relatar agressões físicas, ameaças e episódios de humilhação durante a infância. A ação também menciona que a genitora obrigaria os filhos a registrar fotografias íntimas durante encontros com parceiros.
Um laudo elaborado por uma psicóloga judiciária apontou que a biomédica apresenta sofrimento psíquico relacionado aos traumas vividos na infância. A defesa da jovem recorre da decisão de primeira instância e sustenta que o registro civil deve preservar a dignidade da pessoa, sem perpetuar vínculos que, segundo a autora da ação, representam violência e sofrimento.
Em julho do ano passado, a Justiça também determinou uma medida protetiva proibindo a mãe de se aproximar da biomédica, estabelecendo distância mínima de 500 metros. Além disso, Heloisa obteve autorização judicial para alterar seu primeiro nome, passando a utilizar oficialmente o nome pelo qual já era conhecida.
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O caso segue em tramitação na Justiça e as acusações ainda são objeto de investigação pelas autoridades competentes.