Ashley St Clair teve até manipulada pelo Grok foto de quando tinha 14 anos
Ashley St Clair, que teve um filho com Elon Musk em 2024, tornou-se vítima do Grok, a ferramenta de inteligência artificial (IA) do X, a rede do bilionário sul-africano. Em vários países, mulheres estão tendo suas fotos alteradas digitalmente para expô-las em situações sexualizadas, sem consentimento, como ocorreu com a cantora brasileira Julie Yukari.
Escritora, estrategista política e influencer, Ashley, afastou-se de Musk após o nascimento do bebê. O magnata é pai de outros 13 filhos, com três mulheres diferentes. "Senti-me horrorizada, senti-me violada, especialmente ao ver a mochila do meu filho pequeno no fundo da foto", disse ao "Guardian" Ashley sobre uma imagem em que aparece de biquíni, virada de costas e curvada. A americana teve até uma foto de quando era adolescente alterada digitalmente com objetivo sexual.
"É mais uma forma de assédio. O consentimento é a questão central. As pessoas dizem: 'Bem, é só um biquíni, não é nada explícito'. Mas é um crime sexual despir uma criança sem o seu consentimento", completou ela.
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O Grok tem sido alvo de críticas de legisladores e órgãos reguladores do mundo todo depois que veio à tona que ele havia sido usado para despir virtualmente imagens de mulheres e crianças, mostrando-as em posições sexualizadas comprometedoras. O abuso sexual generalizado consiste em usuários do X pedindo ao Grok para manipular fotos de mulheres totalmente vestidas, colocando-as de biquíni, de joelhos e cobrindo-as com o que parece ser sêmen.
Segundo Ashley, que é nascida na Flórida (EUA), os seguidores de Musk não gostam dela desde que ela tornou público o desejo dele de construir uma "legião" de filhos. "É irônico, considerando que tenho o contato mais direto com eles e eles não fazem nada. Reclamei com a X e eles nem sequer removeram uma foto minha de quando eu era criança, na qual fui despida pelo Grok", lamentou.Os abusos começaram no fim de semana e, desde então, Ashley vem denunciando o caso à X e ao Grok, sem sucesso.
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"O tempo de resposta também está aumentando. No início, a Grok removia algumas das imagens. O Grok disse que não publicaria mais essas imagens, mas elas continuaram piorando. Pegaram fotos minhas quando era menor e me despiram. Tem uma em que me despiram, me curvaram e, ao fundo, está a mochila do meu filho, que ele está usando agora. Isso me deixa muito chateada", desabafou a escritora, acrescentando que os abusos pioraram quando ela reclamou publicamente da manipulação de suas imagens.
Para a americana, a trend foi criada por um "facilitador": a IA estava sendo "treinada" com base em instruções dadas por homens abusadores sexuais, enquanto as mulheres eram afastadas da plataforma por medo dos abusos.
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Fotos: Reprodução
"Se você é mulher, não pode postar uma foto nem falar, ou corre o risco de sofrer abusos. É perigoso e acredito que isso seja intencional. A ideia é alimentar a IA com humanidade e pensamentos, e quando você faz coisas que impactam particularmente as mulheres e elas não querem participar porque são alvo de ataques, significa que a IA será inerentemente tendenciosa", argumentou.Ashley afirmou estar considerando entrar com uma ação judicial e acreditava que o conteúdo poderia ser classificado como pornografia de vingança sob a nova lei "Take It Down Act" dos EUA.
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O caso ultrapassou fronteiras. O governo da França chegou a denunciar o X pela manipulações de imagens, afirmando em nota oficial que se trata de um conteúdo "sexual e sexista" e "manifestamente ilegal". Autoridades da Índia também exigem resposta do X. Entre as vítimas, há menores de idade. O Reino Unido está em processo de proibição da exposição digital de mulheres nuas, mas a legislação pertinente ainda não foi promulgada.
Fonte: Extra