A mãe do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, Raimunda Veras Magalhães, voltou ao centro de um escândalo pesado que mistura política, milícia e dinheiro sujo. Ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro, ela foi denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro acusada de participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho.
Segundo as investigações, Raimunda teria atuado diretamente para “receber, movimentar e ocultar” recursos obtidos em atividades ilegais comandadas pelo próprio filho, que era apontado como uma das principais figuras da milícia no Rio antes de morrer em 2020.
O esquema, de acordo com o Gaeco, operava principalmente na Zona Sul do Rio, com destaque para Copacabana, e teria ligação com o bicheiro Bernardo Bello. Em pouco mais de um ano, as movimentações suspeitas teriam ultrapassado impressionantes R$ 8,5 milhões.
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E não para por aí. A viúva de Adriano, Julia Lotufo, também foi denunciada sob suspeita de negociar imóveis e propriedades rurais que seriam fruto das atividades criminosas do miliciano.
Raimunda já teve passagem direta pela política. Ela trabalhou na Assembleia Legislativa do Rio e depois foi nomeada no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando ele ainda era deputado estadual. O salário na época girava em torno de R$ 6,5 mil. Ela deixou o cargo em 2018, justamente quando começaram a surgir denúncias sobre o esquema das “rachadinhas”.
Nesse mesmo caso, outro nome explosivo aparece: Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema. Segundo o Ministério Público, tanto Raimunda quanto a ex-mulher de Adriano, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, teriam repassado cerca de 20% dos salários que recebiam no gabinete.
Apesar da gravidade, o caso das rachadinhas acabou sendo arquivado em 2021 após decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal que anularam provas por questões processuais. Ou seja, o mérito das acusações nunca chegou a ser julgado.
Outro ponto que chama atenção é a proximidade entre Adriano e Flávio Bolsonaro no passado. O miliciano chegou a receber homenagens oficiais do então deputado, incluindo elogios públicos e até a medalha Tiradentes, uma das principais honrarias do estado.
A nova ofensiva do Ministério Público faz parte da chamada Operação Legado, que já denunciou ao todo 19 pessoas. A investigação também cita o deputado Juninho do Pneu, que teria comprado bens ligados ao grupo criminoso avaliados em milhões.
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O caso agora volta a esquentar e pode trazer novos desdobramentos explosivos envolvendo crime organizado e figuras da política brasileira.