Mais de 90% dessas propostas estão alinhadas a pelo menos um dos resultados energéticos estabelecidos na COP28
Mais de 100 países aproveitaram a Cúpula do Clima do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York, para apresentar novos planos e metas de ação climática antes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que ocorrerá em novembro, em Belém.
O anúncio coletivo contrasta com os recentes ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às discussões sobre o clima na ONU no início da semana. Entre os países que anunciaram planos na quarta-feira estiveram China, Mongólia, Vanuatu, Micronésia, Paquistão e Libéria, juntando-se a Austrália, Nigéria e Jamaica na submissão de metas para 2035.
Os planos formam o conjunto mais detalhado de compromissos climáticos nacionais apresentados até o momento. Em muitos casos, abrangem pela primeira vez todos os setores da economia, incluindo transporte e indústria, e também áreas estratégicas como oceanos, florestas e recursos naturais. Mais de 90% dessas propostas estão alinhadas a pelo menos um dos resultados energéticos estabelecidos na COP28.
Veja também

Sobral: preso por ataque a escola já responde por outro homicídio
Essas promessas refletem avanços registrados desde o Acordo de Paris. Entre 2015 e 2025, a economia global cresceu quase 28%, enquanto as emissões aumentaram apenas 3%. Nesse período, a intensidade de carbono caiu 21% e o crescimento anual das emissões desacelerou em cinco vezes, para 0,32%, segundo análise do Energy and Climate Intelligence Unit (ECIU). Os dados reforçam como planos nacionais mais robustos podem consolidar a tendência de redução gradual do ritmo de emissões.
Apesar do otimismo, a meta global de limitar o aquecimento da Terra a 1,5°C, firmada em 2015 no Acordo de Paris, não é mais considerada viável. O alerta foi feito à CENARIUM pelo cientista Paulo Henrique de Mello Santana, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC). Para ele, no entanto, o diagnóstico não deve ser lido como pessimismo, mas como premissa essencial para que a humanidade possa agir e se adaptar.

A China, um dos maiores emissores do planeta, apresentou um compromisso de reduzir as emissões entre 7% e 10% após atingir o pico, que analistas afirmam ter ocorrido em 2024. Embora visto como modesto, o anúncio é considerado significativo por ser a primeira meta chinesa a abranger toda a economia e todos os gases de efeito estufa.
O país também fixou a meta de elevar a participação de fontes não fósseis para mais de 30% da demanda total de energia até 2035. A expectativa de analistas é de que o setor de tecnologia limpa chinês, em expansão acelerada, supere largamente a meta de 3.600 GW em capacidade eólica e solar.

Fotos: Reprodução
Na abertura da cúpula, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, fez um apelo para que os líderes adotem Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) mais ambiciosas. “Precisamos de novos planos para 2035 que avancem muito mais e muito mais rápido: cortes dramáticos de emissões compatíveis com 1,5 °C, cobrindo todas as emissões e setores, e acelerando uma transição energética justa em escala global”, declarou.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anfitrião da COP30, também discursou no evento e reafirmou a meta do Brasil de reduzir as emissões de todos os gases de efeito estufa entre 59% e 67%, abrangendo todos os setores da economia. “Ao sediar a COP na Amazônia, o Brasil quer mostrar que é impossível preservar a natureza sem cuidar das pessoas”, afirmou.
Fonte: Revista Cenarium