Ação ambiental no Mosaico do Apuí reforça a preservação de quelônios e envolve comunidades locais em um dos maiores programas de conservação da Amazônia.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) realizou a soltura de 2.528 filhotes de quelônios no sul do Amazonas, em uma ação voltada à preservação da fauna amazônica e ao fortalecimento de práticas sustentáveis nas comunidades locais. Foram devolvidas à natureza espécies como a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) e o tracajá (Podocnemis unifilis), em áreas protegidas do Mosaico do Apuí.
A atividade ocorreu entre o último sábado (2) e quinta-feira (9), abrangendo territórios da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Aripuanã e da Reserva Extrativista (Resex) do Guariba. A ação envolveu diretamente comunidades tradicionais das localidades Bela Vista do Guariba, Aruanã, Japiim, Parenins e Sumaúma, que participam ativamente do monitoramento e proteção das espécies.
De acordo com a gestora do Mosaico do Apuí, Aldeíza Lago, o trabalho vai além da soltura dos animais e representa um modelo de conservação baseado na participação comunitária. Segundo ela, o envolvimento direto dos moradores fortalece a proteção ambiental e cria uma relação contínua de cuidado com o território.
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O processo de proteção dos quelônios segue a metodologia do projeto Pé-de-Pincha, desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A técnica começa com a identificação dos ninhos em praias e margens de rios, conhecidos como tabuleiros, onde os ovos são coletados e transferidos para áreas protegidas chamadas chocadeiras.
Nesses espaços, os ovos são catalogados por espécie e data e monitorados durante todo o período de incubação. Após o nascimento, os filhotes são mantidos temporariamente em tanques até atingirem condições seguras para o retorno ao ambiente natural, com maior chance de sobrevivência.

Foto: Reprodução
O projeto conta com apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), iniciativa que reúne instituições governamentais e ambientais para ampliar a conservação da floresta. No Amazonas, a execução é feita pela própria Sema, em parceria com o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), responsável pela gestão dos recursos.
O Mosaico do Apuí reúne nove unidades de conservação localizadas em uma das regiões mais pressionadas pelo desmatamento na Amazônia. Criado em 2005, o conjunto protege cerca de 2,6 milhões de hectares e integra o Corredor Ecológico da Amazônia Meridional, funcionando como uma barreira natural contra a degradação ambiental.
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A iniciativa reforça o papel das comunidades locais e de projetos científicos na preservação da biodiversidade amazônica, garantindo a continuidade de espécies fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas da região.