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Mais de 300 pessoas são resgatadas de cativeiro após semanas sequestradas na Nigéria
Foto: Tonye BAKARE/ AFP

Os sequestros se tornaram uma importante fonte de renda para grupos criminosos na Nigéria

Mais de 300 pessoas foram resgatadas após semanas mantidas em cativeiro por sequestradores na Nigéria. Ao todo, 308 vítimas foram libertadas em uma operação realizada na região de Woro, no estado de Kwara, segundo autoridades locais.

 

As vítimas estavam escondidas em uma área de floresta do Parque Nacional do Lago Kainji, depois que a comunidade foi atacada por supostos jihadistas em fevereiro. Na ocasião, mais de 165 pessoas foram mortas e dezenas foram sequestradas.

 

Após o resgate, os sobreviventes foram encaminhados para atendimento médico no hospital da Universidade Estadual de Kwara, em Ilorin. Segundo profissionais de saúde, muitos chegaram desnutridos, feridos e com problemas de pele, enquanto alguns apresentavam fraturas e sinais de trauma psicológico.

 

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Durante o período em cativeiro, os sequestrados recebiam alimentação limitada. Segundo relatos, eram servidos tuwo, uma espécie de mingau espesso feito de painço, além de uma preparação com água de rio e sal. Em algumas ocasiões, recebiam cubos de tempero e carne.

 

As vítimas também relataram agressões e restrições impostas pelos sequestradores. Pessoas que deixavam o local autorizado para ir ao banheiro eram espancadas, segundo uma enfermeira que esteve entre os sobreviventes.

 

Entre os casos mais dramáticos estão os de mulheres que deram à luz enquanto permaneciam sequestradas. Uma enfermeira que também estava entre os reféns contou que ajudou nos partos utilizando apenas uma lanterna para iluminar o local.

 

Segundo ela, os sequestradores forneceram uma lâmina para que o cordão umbilical pudesse ser cortado.

 

O diretor médico do hospital, Ahmed Bola Abdulkadir, afirmou que algumas vítimas chegaram em condições graves e podem precisar de acompanhamento psicológico durante a recuperação.

 

Umar Bio Salihu, chefe da comunidade de Woro, afirmou que 13 moradores morreram durante o período de cativeiro e que outras 13 pessoas continuam sequestradas.

 

O caso ocorre em meio à grave crise de sequestros enfrentada pela Nigéria. Grupos jihadistas e organizações criminosas atuantes principalmente nas regiões norte e central do país utilizam os sequestros como fonte de financiamento.

 

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Apesar do resgate, as autoridades ainda trabalham para localizar outras vítimas e esclarecer as circunstâncias do ataque à comunidade. 

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