Silas Malafaia é pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e uma figura pública frequentemente envolvida em debates políticos. Nas últimas semanas, a repercussão sobre o evangélico cresceu, especialmente após uma operação da Polícia Federal contra ele, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no âmbito de investigações relacionadas a ataques contra instituições. Sua relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é considerada polêmica, marcada tanto por apoio quanto por momentos de críticas.
Durante entrevista exclusiva ao Terra, Malafaia subiu o tom contra Moraes, explicou o teor das críticas feitas a Eduardo Bolsonaro em mensagens trocadas com o ex-presidente, minimizou o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2002 e afirmou ser "muito cedo" para desconsiderar Bolsonaro na corrida eleitoral de 2026, mesmo o político estando inelegível até 2030.
“Eu não tenho medo de nada. Se você trabalha com um ministro que é um ditador, ele não tem limite, porque a primeira coisa que faz é rasgar as leis", afirma ele, ao se referir a Moraes. "Se um ministro foi colocado para zelar e fazer cumprir a Constituição, e ele, a seu bel-prazer, a rasga, você vai temer o quê? Ele pode ter qualquer atitude — você é que deve estar preparado para elas."
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Sobre o quadro político, Malafaia disse que, antes da candidatura de Jair Bolsonaro em 2018, não existia uma direita “pura” no País, mas uma predominância de centro-esquerda e esquerda, com a direita tradicional alinhada a esses grupos. Com esse argumento, justifica o alinhamento do passado a Lula.
“Não havia uma direita pura. Você tinha centro-esquerda e esquerda. E a direita que tinha se alinhava com a centro-esquerda. Quando não havia discurso ideológico do PT, não havia denúncia de corrupção. Feio seria se, depois de toda essa lama, eu estivesse apoiando Lula. Só veio a ter uma direita pura com a candidatura por Bolsonaro. Apoiei Serra, centro-esquerda; apoiei Aécio, centro-esquerda, porque não tinha direita. Então esse povo que nem nascido era fica falando asneira.”
Sobre as eleições de 2026, Malafaia declarou preferência por Bolsonaro e afirmou que só considerará discutir outros nomes caso o ex-presidente não esteja na disputa. “Defendo Bolsonaro para 2026. A lista [de outros nomes] é grande, mas eu não apoio ninguém até ver o que vai acontecer. Ainda tem água para passar debaixo da ponte”, disse ele, que se mostrou bastante otimista com uma mudança no status da inelegibilidade do ex-mandatário.
Por outro lado, Malafaia acredita que o aliado político, que é réu por tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023, “já está condenado” pelo Supremo Tribunal Federal. Mas o pastor voltou a citar a possibilidade de Bolsonaro ser beneficiado pela anistia pleiteada por sua base aliada no Congresso Nacional.
Questionado sobre uma possível candidatura, ele disse que não pretende concorrer e que seu papel é o de uma “voz profética”. Ao ser questionado sobre as mensagens em que chama Eduardo de “babaca, inexperiente e idiota”, o pastor alega que foi alvo de um crime ao ter o conteúdo exposto com o propósito de ridicularizá-lo perante o público.
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Mas, segundo Malafaia, as críticas foram feitas após Eduardo Bolsonaro ter se vangloriado pelas sanções do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil. "Não sou a favor de sanções contra o Brasil", pontuou ele, que atribuiu a responsabilidade pelas medidas a Moraes e a Lula.
Fonte:Terra