Expansão para áreas cada vez mais distantes aumenta custos de infraestrutura e deslocamentos, enquanto planejamento urbano pode aproximar moradia, emprego e serviços
O crescimento populacional de Manaus também amplia o desafio de fazer a cidade funcionar de forma integrada. Entre 2010 e 2022, a capital passou de 1,8 milhão para 2,06 milhões de habitantes, segundo o IBGE. Para o arquiteto e urbanista José Henrique Lanna, diretor da Câmara de Meio Ambiente da ADEMI-AM, o avanço da ocupação precisa ser acompanhado por um planejamento capaz de aproximar moradia, trabalho, serviços e infraestrutura.
Segundo Lanna, a expansão dispersa aumenta as distâncias e pode elevar os custos tanto para os moradores quanto para o poder público. Quando novos bairros surgem longe das áreas já estruturadas, torna-se necessário ampliar redes de água, esgoto, energia, drenagem e iluminação, além de transporte coletivo, coleta de resíduos e manutenção das vias. Para as famílias, a distância também pode significar mais tempo e dinheiro gastos diariamente nos deslocamentos.
A alternativa defendida pelo urbanista é direcionar parte do crescimento para áreas já urbanizadas e setores planejados, desde que exista capacidade de infraestrutura para receber novos moradores. A ideia não é apenas aumentar a quantidade de imóveis, mas avaliar a disponibilidade de saneamento, transporte, escolas, unidades de saúde, empregos e outros serviços. A ocupação dos terrenos, a diversidade de usos e a conexão entre as ruas também fazem parte desse planejamento.
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MORADIA PRECISA ESTAR PERTO DAS OPORTUNIDADES
O Censo 2022 apontou ainda que cerca de 55,8% da população de Manaus vivia em favelas e comunidades urbanas, o equivalente a aproximadamente 1,15 milhão de pessoas. Para Lanna, o dado reforça a necessidade de combinar urbanização dos bairros existentes com a criação de novas opções de moradia em regiões que já contam com infraestrutura.
Uma das estratégias seria fortalecer diferentes centralidades urbanas, com comércio, escolas, serviços de saúde, empregos e equipamentos públicos próximos das residências. Dessa forma, os moradores poderiam resolver parte das atividades cotidianas sem precisar atravessar a cidade. “Uma cidade não precisa obrigar o cidadão a atravessá-la todos os dias para resolver a vida”, afirma o urbanista.
CRESCIMENTO TAMBÉM PRECISA CONSIDERAR O CLIMA
Em uma cidade de clima quente como Manaus, o planejamento urbano também precisa considerar áreas verdes e conforto térmico. Dados do Censo 2022 citados no estudo apontam que 44,8% da população urbana da capital vivia em trechos de vias com presença de arborização.
Para o especialista, uma cidade mais compacta precisa ser acompanhada de calçadas acessíveis e sombreadas, travessias seguras, praças, drenagem e proteção dos igarapés. A proposta é permitir que maior concentração urbana venha acompanhada de condições que favoreçam deslocamentos a pé e melhor qualidade ambiental.
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Na avaliação de Lanna, o futuro da expansão de Manaus depende de decisões integradas entre habitação, uso do solo, mobilidade e meio ambiente. O aproveitamento de áreas já urbanizadas, a distribuição de empregos e serviços e a recuperação de bairros com infraestrutura deficiente podem ajudar a reduzir deslocamentos e evitar que novas ocupações avancem sem a estrutura necessária.