Capital amazonense alcançou 169 pontos no índice de qualidade do ar da IQAir, em meio ao avanço das queimadas no estado, que já contabiliza mais de 7,8 mil focos de calor em 2026.
Manaus registrou níveis elevados de poluição atmosférica e superou metrópoles como Délhi, na Índia, e Pequim, na China, no levantamento da plataforma internacional IQAir realizado na manhã desta quarta-feira (14). A capital amazonense atingiu 169 pontos no índice de qualidade do ar, com concentração de partículas finas de 76,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³), em um cenário marcado pelo avanço das queimadas no Amazonas.
A concentração de material particulado fino registrada na cidade corresponde a 15,3 vezes a diretriz anual de 5 µg/m³ recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A comparação, porém, considera uma medição pontual em relação a uma referência anual e não representa a exposição média da população ao longo de 12 meses.
No monitoramento internacional realizado entre 8h e 9h, Manaus apareceu à frente de outras grandes cidades afetadas pela poluição. Délhi e Hanói registraram 157 pontos cada, enquanto Wuhan marcou 154, Pequim chegou a 153 e Jacarta apresentou 142 pontos.
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O índice de 169 pontos foi classificado como insalubre, condição que indica riscos à saúde decorrentes da exposição à poluição atmosférica. O principal poluente identificado foi o material particulado fino, composto por partículas microscópicas capazes de penetrar profundamente nos pulmões e afetar os sistemas respiratório e cardiovascular.
Um mapa de dispersão atmosférica consultado na plataforma Windy também indicou concentração de monóxido de carbono de 639 partes por bilhão por volume sobre Manaus. O gás pode ser liberado durante a combustão incompleta de materiais, inclusive vegetação, e, em concentrações elevadas, prejudica o transporte de oxigênio pelo sangue. Entretanto, essa medição isolada não permite identificar a origem exata do gás nem confirmar a trajetória da fumaça até a capital.

Foto: Reprodução
MANAUS LIDERA RANKING DE POLUIÇÃO ENTRE CAPITAIS BRASILEIRAS
No levantamento nacional da IQAir, Manaus ocupou a primeira posição entre as capitais brasileiras monitoradas, com 169 pontos. Porto Velho, em Rondônia, apareceu na sequência, com 71 pontos, seguida por Rio Branco, no Acre, com 56; Brasília, com 52; São Paulo, com 42; e Belém, com 36 pontos.
As medições de três estações instaladas na área urbana também indicaram níveis elevados de poluição em diferentes regiões da cidade. O equipamento da Fundação Amazonas Sustentável registrou 160 pontos, enquanto as estações localizadas no Centro de Manaus e no Parque Dez de Novembro marcaram 158 pontos cada.
O material particulado fino preocupa especialmente por seu potencial de penetrar nas vias respiratórias e alcançar regiões profundas dos pulmões. A exposição a esse tipo de poluente está associada ao agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares, sobretudo entre crianças, idosos e pessoas que já apresentam problemas de saúde.

Foto: Reprodução
AMAZONAS REGISTRA AUMENTO DE 116% NOS FOCOS DE QUEIMADAS
O avanço da poluição ocorre em meio ao crescimento dos incêndios florestais no estado. Dados do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) apontam 7.815 focos de queimadas entre 1º de janeiro e 12 de outubro de 2026, aumento de 116,42% em comparação com o mesmo período de 2025.
O Amazonas concentrou 14% dos 54.067 focos registrados na Amazônia Legal durante o intervalo considerado pelo levantamento.
Já os dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com base no satélite de referência da série histórica iniciada em 1998, contabilizaram 7.865 focos de calor no estado até 13 de outubro.
Somente nos primeiros 13 dias de outubro, foram registrados 1.608 focos. O número já supera a média histórica de 1.433 ocorrências para o mês inteiro e representa um aumento de 83,98% em relação aos 874 focos contabilizados em outubro de 2025.
SUL DO AMAZONAS E REGIÃO METROPOLITANA CONCENTRAM OCORRÊNCIAS
A distribuição territorial dos registros aponta concentração de focos de calor no Sul do Amazonas e na Região Metropolitana de Manaus. Juntas, as duas regiões somaram 5.738 ocorrências, o equivalente a 73,4% do total estadual informado pelo Ipaam. Desse número, 3.714 foram registrados no Sul do estado e 2.024 na Região Metropolitana.
O levantamento também indica que 79% dos incêndios se concentraram em assentamentos rurais e terras públicas não destinadas. Conforme a classificação apresentada pelo órgão ambiental, 28% ocorreram em assentamentos, 26% em glebas federais e 25% em glebas estaduais.
Entre as áreas com maior número de registros está o Projeto de Assentamento Rio Juma, com 547 focos de calor.
No ranking municipal, Apuí aparece na primeira posição, com 983 focos, seguido por Novo Aripuanã, com 860; Lábrea, com 718; Autazes, com 532; e Boca do Acre, com 406 ocorrências.
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O aumento das queimadas amplia a preocupação com os efeitos da fumaça sobre a qualidade do ar na capital e no interior. Enquanto os focos de calor continuam sendo monitorados pelos órgãos ambientais, os indicadores de poluição reforçam a necessidade de atenção aos riscos provocados pela exposição prolongada aos poluentes atmosféricos.