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Manaus ultrapassa 2,3 mil mortes no trânsito em quase uma década
Foto: Divulgação

Dados oficiais mostram 2.314 vítimas fatais entre 2017 e julho de 2026; motociclistas estão entre os grupos mais atingidos.

O trânsito de Manaus acumula uma marca preocupante: 2.314 pessoas morreram em acidentes nas vias da capital entre 2017 e julho de 2026. Os dados são do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e do Instituto Médico Legal (IML) e revelam a dimensão dos acidentes fatais registrados na cidade.

 

De acordo com o especialista em engenharia, gestão e direito de trânsito, educação e cidadania e professor Wendell Menezes, o comportamento dos motoristas está entre os principais fatores associados aos sinistros.

 

Segundo ele, estudos nacionais e internacionais apontam que o fator humano está presente em aproximadamente 90% das ocorrências, principalmente em situações relacionadas à imprudência, negligência ou imperícia.

 

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Entre os comportamentos que mais contribuem para acidentes estão o excesso de velocidade, o desrespeito à sinalização, o consumo de álcool antes de dirigir e a falta de distância segura entre os veículos.

 

Para Menezes, a prevenção depende de uma condução responsável, com atenção às regras de trânsito e adoção de práticas de direção defensiva.

 

2024 TEVE O MAIOR NÚMERO DE MORTES

 

Os números mostram que Manaus mantém uma quantidade elevada de vítimas fatais ao longo dos anos. Em 2017, foram registradas 224 mortes no trânsito.

 

O maior número da série ocorreu em 2024, com 309 vítimas. No ano seguinte, houve redução, com 246 mortes registradas.

Já entre janeiro e julho de 2026, foram contabilizadas 147 mortes, mantendo um cenário de preocupação para a segurança viária da capital.

 

Até junho, os dados apontavam 65 motociclistas mortos, além de seis motoristas, 35 pedestres, 13 passageiros de veículos leves e dois ciclistas. Em cinco ocorrências, o tipo de vítima não foi informado.

 

As principais ocorrências fatais envolveram colisões, com 45 casos, seguidas de atropelamentos, com 35, quedas, com 21, e choques, com 17. Também houve um caso de capotamento.

 

EXCESSO DE VELOCIDADE PREOCUPA

 

Para o agente de trânsito Rafael Cordeiro, a imprudência e a velocidade acima do permitido estão entre as principais causas dos acidentes fatais.

 

Ele defende o reforço de ações educativas e políticas públicas voltadas à segurança no trânsito, além de campanhas de conscientização para incentivar uma condução mais responsável.

 

A avaliação é que a combinação entre comportamento de risco e desrespeito às regras de circulação aumenta significativamente a possibilidade de acidentes graves.

 

CASOS RECENTES CHAMAM ATENÇÃO

 

A sequência de acidentes fatais registrada nos últimos meses reforça o cenário preocupante.

 

Em 27 de agosto, o barbeiro Joelesson Gomes de Souza, de 31 anos, morreu após uma colisão no cruzamento das avenidas Mário Ypiranga e Teresina, no bairro Adrianópolis. Segundo testemunhas, uma viatura teria avançado o sinal vermelho e atingido a motocicleta conduzida pela vítima. O caso é investigado.

 

Cinco dias antes, em 22 de agosto, o assessor parlamentar Fábio Margarido Moraes, de 45 anos, morreu após perder o controle de uma motocicleta na região de Adrianópolis. O veículo atravessou o canteiro central da avenida Jornalista Umberto Calderaro Filho e bateu contra o muro de uma escola.

Em 6 de agosto, uma colisão na avenida do Turismo deixou uma pessoa morta e outras cinco feridas, entre elas três crianças que ficaram em estado grave. O acidente envolveu um carro de aplicativo e uma van.

 

Também em julho, Lucas Eduardo Cunha Trindade, de 29 anos, morreu em um acidente no bairro Flores. O caso passou a ser investigado pela Delegacia Especializada em Acidentes de Trânsito (Deat).

 

Na avenida Autaz Mirim, no bairro Jorge Teixeira, outro acidente terminou com a morte de um motociclista. Segundo a Polícia Militar, ele teria atingido uma pedestre que atravessava a faixa e, após perder o controle da motocicleta, bateu contra um poste.

 

Ainda em julho, Glendeson Ruiz de Oliveira, de 28 anos, morreu após sofrer um acidente enquanto pilotava uma motocicleta na avenida Max Teixeira, no bairro Cidade Nova.

 

Em junho, Valtencir Paes Mendes, de 47 anos, também morreu após perder o controle da motocicleta e colidir contra um poste de iluminação na avenida União, no bairro Lago Azul.

 

O QUE DIZ A LEGISLAÇÃO

 

O Código de Trânsito Brasileiro prevê o homicídio culposo na direção de veículo automotor quando uma pessoa provoca a morte de outra por imprudência, negligência ou imperícia.

 

A pena prevista é de detenção de dois a quatro anos, além da suspensão ou proibição de obter a habilitação para dirigir. Quando o motorista está sob influência de álcool ou outra substância psicoativa, a legislação estabelece punição mais severa.

 

A responsabilização depende da análise das circunstâncias de cada caso e da existência de relação entre a conduta do condutor e a morte da vítima.

 

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Diante do número de ocorrências, especialistas defendem que a redução das mortes no trânsito exige ações conjuntas de fiscalização, educação, engenharia de tráfego e conscientização dos condutores. 

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