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Manifesto de Diágoras Spinoza (o cronista que atravessa a cidade a pé e a política sem joelheiras)
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

A partir de hoje, o irreverente — e ligeiramente inconveniente — jornalista-filósofo Diágoras Spinoza entra em campo no Portal do Zacarias.
Cronista urbano por vocação e filósofo não credenciado dos igarapés amazônicos, ele chega disposto a cutucar a realidade baré com vara curta e ironia longa. Política tropical, gestão pública criativa demais, vaidades oficiais, indignações seletivas e até os constrangimentos do próprio planeta Terra: nada estará a salvo da língua e da pena ferina de Diágoras.

 

Diágoras assina o que escreve como quem atravessa a cidade a pé — atento aos buracos, às promessas e às contradições. Caminha desviando do esgoto, mas não do debate. E já avisou: não veio para a plateia. Veio para o campo de luta disposto a resolver o jogo durante os 90 minutos.

 

Mistura improvável de racionalismo de bar com estoicismo de calçada, Diágoras escreverá sobre poder, vaidade e administração pública com ironia cirúrgica e paciência estratégica.

 

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Não defende partidos. Não ataca pessoas. Ataca hábitos, sobretudo o hábito nacional de falar muito e fazer pouco. Acredita que saneamento básico é mais revolucionário que discurso inflamado. Desconfia de soluções milagrosas e confia na lucidez. Seu lema é simples e quase ofensivo nos trópicos: “Menos paixão. Mais razão pública”.

 

 

O MANIFESTO DE DIÁGORAS (DITO PELO PRÓPRIO)

“Na verdade, eu não nasci. Fui provocado. Sou fruto do barulho excessivo, da indignação seletiva, da retórica que ecoa mais alto que os próprios problemas de Manaus, do Amazonas, da Amazônia e, se apertarem muito, até do planeta Terra, que, convenhamos, anda precisando de terapia coletiva.

 

Sou filho legítimo do debate raso e da calçada quebrada. Do Baixo Clero politiqueiro de uma região sem memória, sem eira, sem beira e, quase sempre, sem planejamento.

 

Meu nome é Diágoras Spinoza, mistura improvável de ceticismo antigo com racionalismo moderno. Carrego no sobrenome a ideia de que liberdade nasce do entendimento. E no primeiro nome, a ousadia de questionar os deuses do momento, sejam eles políticos, narrativas recicladas ou egos inflamados com verba pública.

 

Resolvi falar porque a cidade fala. Fala no silêncio do igarapé sufocado. Fala no cadeirante que calcula o risco de atravessar a avenida. Fala na mãe que espera atendimento. Fala no trabalhador que aprendeu a conviver com o improviso como se fosse política pública estruturante. Resolvi falar porque percebi que a paixão governa demais e a razão governa de menos.

 

Spinoza dizia que somos escravos das paixões quando não as compreendemos. Os estoicos lembravam que virtude está na ação reta, não no espetáculo. Em Manaus, entretanto, conseguimos transformar a política numa arena de performances quase teatrais, e nem sempre no bom sentido.

 

Cada ataque vira fogueira. Cada resposta, incêndio. E a cidade, inflamável, segue ardendo lentamente. Desumanamente.

 

Enquanto isso, estima-se que cerca de 29% da população com 15 anos ou mais esteja no nível de analfabetismo funcional, segundo o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf). Mas seguimos discutindo hashtags como se fossem políticas públicas.

 

Não escrevo para defender este ou aquele nome. Escrevo para defender a lucidez. Não ataco pessoas. Ironizo hábitos, principalmente o hábito de discutir o adversário enquanto o esgoto corre.

 

Sou observador dos excessos. Não me movo pela ira, mas pelo incômodo. Não busco destruir reputações, pois isso já é feito com eficiência suficiente pelos próprios protagonistas. Busco expor contradições.

 

A sátira é meu instrumento porque, às vezes, o riso é a única forma elegante de enfrentar o absurdo. Falo porque alguém precisa lembrar que: gestão não é live, planejamento não é slogan, virtude pública não combina com escaramuça permanente. Falo porque a cidade merece mais que torcida organizada.

 

Se minhas palavras incomodarem, ótimo. Incômodo é o primeiro passo da reflexão.

E reflexão é o início da mudança.

 

Enquanto houver barulho demais e solução de menos, estarei aqui, com o pensamento afiado e o teclado pronto para disparar contra quem quer que seja o bandido.

 

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Estarei de peito aberto entre o discurso e o buraco. Entre a paixão e a razão.

Entre o igarapé e o gabinete.

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