Investigação aponta mistura irregular de substâncias na manutenção da piscina, feita por manobrista, e levanta suspeita de negligência grave da academia.
A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte de uma professora que passou mal após uma aula de natação em uma academia na Zona Leste da capital. Segundo o delegado Alexandre Bento, responsável pelo caso no 42º Distrito Policial, o funcionário encarregado da manutenção da piscina seria um manobrista da empresa, e não um profissional especializado.
De acordo com a investigação preliminar, a principal hipótese é de que houve uma mistura inadequada de produtos químicos, o que teria provocado uma reação capaz de liberar gases tóxicos no ambiente da piscina. A inalação dessas substâncias teria causado intoxicação nos alunos, levando à morte da professora Juliana e deixando outras pessoas hospitalizadas.
“Esse gás provocou asfixia, queimando as vias aéreas e causando bolhas nos pulmões das vítimas. Estamos tentando identificar exatamente quais produtos foram usados e em que proporção”, afirmou o delegado. Ele ressaltou que a apuração tem sido dificultada pela falta de colaboração da academia. Segundo Bento, os responsáveis pelo estabelecimento não se apresentaram à polícia e o funcionário que realizava a limpeza da piscina ainda não foi localizado.
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A Vigilância Sanitária interditou o local, considerado de alto risco. Bombeiros e equipes técnicas precisaram entrar na academia usando equipamentos de proteção, e as janelas foram abertas para dissipar os gases acumulados. Ainda não há confirmação se a contaminação ocorreu apenas pelo ar ou também pela água da piscina.
Em nota, a Subprefeitura da Vila Prudente informou que interditou preventivamente a academia C4 Gym, no Parque São Lucas, após constatar diversas irregularidades, como a existência de dois CNPJs vinculados à atividade no mesmo endereço, ausência de Auto de Licença de Funcionamento e condições precárias de segurança.
DOR E PEDIDO DE JUSTIÇA
O pai da professora, Ângelo Augusto Bassetto, pediu uma investigação rigorosa e disse que a família quer evitar que outras pessoas passem pela mesma situação. Emocionado, ele afirmou que não busca indenizações, mas responsabilidade. “Isso não pode acontecer com mais ninguém. Pelo que soube, foi usado ozônio, que é muito forte dependendo da dosagem”, disse.
Ângelo relatou que conseguiu ver a filha ainda viva no hospital, mas em estado crítico, com grande dificuldade para respirar. Segundo ele, médicos explicaram que o produto químico atingiu diretamente os pulmões da professora, provocando danos internos severos.
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Foto: Reprodução
O marido de Juliana, Vinícius de Oliveira, que também participava da aula, segue internado em estado grave e precisou ser entubado. Um adolescente de 14 anos permanece hospitalizado na UTI, enquanto outras duas pessoas receberam atendimento médico e já tiveram alta.
O QUE SE SABE ATÉ AGORA
O caso ocorreu no sábado (7). Alunos perceberam cheiro e gosto anormais na água da piscina e relataram mal-estar ao professor responsável, que pediu a evacuação do local. A polícia apreendeu amostras da água e os produtos químicos usados na academia para análise pericial.
As investigações indicam possível envenenamento por inalação de gases liberados durante a limpeza da piscina, mas não descartam a presença de substâncias tóxicas na água. Segundo o delegado, o estabelecimento chegou a ser fechado após o acidente sem comunicação imediata às autoridades, e a perícia só conseguiu entrar no local após arrombamento.
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Foto: Reprodução
O velório de Juliana está marcado para esta segunda-feira, no Jardim Avelino, e o sepultamento ocorrerá no Cemitério da Quarta Parada. Familiares informaram que ela havia se casado recentemente, acabado de adquirir um apartamento e planejava ter filhos. Juliana também era praticante de ioga e integrante de uma comunidade espírita.
POSICIONAMENTO DA ACADEMIA
Em nota, a C4 Gym afirmou que interrompeu imediatamente o uso da piscina, acionou o socorro e está colaborando com as autoridades. A empresa disse ainda que realiza uma apuração interna e que, em sinal de luto, manterá as unidades próprias da capital fechadas nesta segunda-feira (9).
A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso segue sob investigação e que diligências continuam para o completo esclarecimento dos fatos.
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