Vídeo de Franciny Ehlke maquiada antes de passar por uma cesariana reacendeu o debate; especialistas explicam a relação entre vaidade, autoestima e identidade feminina após a chegada de um filho
A influenciadora Franciny Ehlke deu à luz sua primeira filha, Zara, fruto do relacionamento com o empresário Tony Maleh, e repercutiu nas redes sociais ao mostrar um momento de preparação antes do parto. Pouco antes de passar por uma cesariana, ela apareceu se maquiando na maternidade e brincou: "Acharam que eu ia parir feia?". A cena reacendeu uma discussão que vai além da escolha de se produzir para a chegada de um filho: qual é o papel da beleza e da autoestima na experiência da maternidade?
Para algumas mulheres, estar maquiada, com os cabelos arrumados ou usando uma roupa especial durante o parto representa mais do que uma preocupação estética. Esses cuidados podem ser uma maneira de manter hábitos e referências pessoais em uma fase marcada por mudanças físicas, emocionais e na rotina. O ponto central é diferenciar uma escolha que proporciona bem-estar de uma exigência alimentada por cobranças externas.
A especialista em saúde mental Priscila Telles explica que manter determinados hábitos relacionados à aparência pode ajudar algumas mulheres a atravessar as transformações da maternidade sem deixar de lado aspectos importantes de sua personalidade.
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"Durante a gestação e o parto, a mulher passa por transformações muito intensas, e é natural que também busque maneiras de se reconhecer nesse novo momento. Para algumas, a maquiagem representa familiaridade, expressão pessoal e até uma sensação de segurança. Não é necessariamente sobre querer estar bonita para os outros, mas sobre sentir-se bem consigo mesma. O importante é que essa escolha seja espontânea, sem cobranças externas", analisa.
A especialista em saúde mental Mariellen Freitas chama atenção para a importância de não associar a chegada de um filho ao abandono da individualidade feminina. A maternidade traz novas responsabilidades, mas não apaga os interesses, os desejos e os cuidados que já faziam parte da vida da mulher.
"A mulher não deixa de ser mulher quando se torna mãe. Ela continua tendo sua personalidade, seus gostos, sua vaidade e suas necessidades emocionais. Um ritual de beleza antes do parto pode representar uma forma de autocuidado e acolhimento. Mas precisamos ter cuidado para não transformar isso em mais uma obrigação. A mulher não precisa estar maquiada, arrumada ou apresentar uma determinada aparência para ser valorizada nesse momento", destaca.
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O episódio também ilustra as cobranças relacionadas à aparência feminina durante a maternidade. Enquanto algumas mulheres são questionadas por manterem cuidados estéticos durante a gestação e o parto, outras enfrentam a pressão para recuperar o corpo de antes da gravidez. Nesse contexto, vaidade e autocuidado são vividos de maneiras diferentes por cada mulher.