Marcas em ossos encontrados na Espanha revelam que ancestrais humanos consumiam adultos e crianças como estratégia de sobrevivência há cerca de 850 mil anos.
Uma nova pesquisa realizada por cientistas do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social (IPHES) trouxe novas evidências sobre a prática de canibalismo entre grupos de Homo antecessor que viveram no norte da Espanha há cerca de 850 mil anos. A descoberta, feita na caverna Gran Dolina, indica que não apenas crianças e adolescentes eram consumidos, mas também indivíduos adultos.
Durante a campanha de escavações realizada em 2026, os pesquisadores encontraram pelo menos 24 novos fósseis da espécie, entre eles restos pertencentes a seis adultos. Fragmentos de crânios, vértebras, tíbias, fêmures, falanges e dentes apresentavam marcas de cortes provocadas por ferramentas de pedra, evidenciando que os corpos foram manipulados após a morte.
Até então, a maior parte dos vestígios encontrados era de indivíduos mais jovens, o que levava os estudiosos a acreditar que o canibalismo atingia principalmente crianças e adolescentes. Com os novos achados, essa interpretação mudou, reforçando a hipótese de que adultos também faziam parte dessa prática.
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Além dos restos humanos, a equipe arqueológica recuperou ferramentas de pedra confeccionadas em sílex, quartzito, arenito e quartzo, além de ossos de diversos animais, como cavalos, rinocerontes, veados, bovinos, castores e hienas, indicando um ambiente rico em recursos e atividades de caça.
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Os pesquisadores acreditam que o canibalismo tinha finalidade alimentar e fazia parte das estratégias de sobrevivência desses grupos humanos. A descoberta amplia o conhecimento sobre o comportamento do Homo antecessor e abre novas possibilidades de estudo sobre a organização social e os hábitos de um dos mais antigos ancestrais da humanidade na Europa.