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Márcia Kambeba defende protagonismo indígena na produção do conhecimento científico
Foto: Divulgação

Escritora afirma que educação precisa valorizar os saberes dos povos originários e fortalecer o diálogo entre ciência acadêmica e conhecimentos tradicionais.

Os povos indígenas precisam ser reconhecidos como protagonistas na produção do conhecimento científico e não apenas como participantes de debates acadêmicos. A avaliação é da escritora, pesquisadora e pensadora indígena Márcia Kambeba, que participou do I Encontro Nacional de Educação Científica no Interior do Amazonas, realizado nos dias 18 e 19 de junho, em Manacapuru.

 

Com o tema "Saberes do Território, Ciência do Cotidiano", o evento reuniu pesquisadores, professores, estudantes e representantes de comunidades tradicionais para discutir novas perspectivas para a educação científica na Amazônia. Para Márcia, o encontro reforçou que os territórios amazônicos são espaços legítimos de produção de conhecimento.

 

Durante sua participação, a escritora destacou que os saberes indígenas são construídos ao longo de gerações por meio da relação com a natureza, da oralidade, da memória coletiva e da vivência nos territórios.

 

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Ao lado da indígena Marlete Cruz Kambeba, da aldeia Tururucari-Uka, Márcia ressaltou que ambas representaram não apenas suas trajetórias pessoais, mas também a voz dos povos originários e de seus ancestrais.

 

Segundo ela, um dos aspectos mais positivos do encontro foi o interesse de estudantes, educadores e pesquisadores em conhecer experiências desenvolvidas a partir da convivência com a floresta, os rios e os modos de vida tradicionais.

 

Para a pesquisadora, a ciência produzida nas universidades pode dialogar de forma complementar com os conhecimentos desenvolvidos nos territórios indígenas, ampliando as possibilidades de construção do saber e fortalecendo soluções para os desafios contemporâneos.

 

 (Foto: Divulgação)

Foto: Divulgação

 

Márcia também defendeu a ampliação desses espaços de diálogo, para que os povos indígenas sejam reconhecidos como pesquisadores de seus próprios territórios e protagonistas das discussões sobre educação e ciência.

 

Outro ponto destacado foi a necessidade de fortalecer a aplicação da Lei nº 11.645/2008, que torna obrigatório o ensino da história e da cultura indígena e afro-brasileira nas escolas. Na avaliação da escritora, a legislação ainda enfrenta desafios para ser plenamente implementada na educação básica.

 

Ela também ressaltou a importância da literatura indígena como ferramenta para aproximar estudantes das narrativas produzidas pelos próprios povos originários, contribuindo para uma compreensão mais ampla da diversidade cultural brasileira.

 

O encontro foi realizado na Faculdade de Medicina Afya, em Manacapuru, por meio de projeto coordenado pela professora doutora Joristela de Souza Queiroz, da Escola Estadual Nossa Senhora de Nazaré, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Realização de Eventos Científicos e Tecnológicos (Parev).

 

A iniciativa contou ainda com a parceria da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), da Coordenadoria Regional de Ensino de Manacapuru, da Secretaria Municipal de Educação (Semec) e da Faculdade de Medicina Afya, promovendo a integração entre educação básica, ensino superior, pesquisadores e comunidades tradicionais.

 

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Ao encerrar sua participação, Márcia Kambeba reforçou que reconhecer os conhecimentos produzidos pelos povos indígenas é um passo fundamental para construir uma educação mais inclusiva e conectada à diversidade cultural do Brasil. 

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