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Marco Nanini: 'Nunca escondi minha sexualidade. Se as pessoas achavam algo, tanto faz'
Foto: Pedro Pedreira

Bastião da dramaturgia brasileira, ator fala sobre envelhecimento, decisão de se tornar vegetariano e saúde após uma cirurgia recente

Dá para dizer com facilidade que Marco Nanini é dramático. Não do tipo que faz caso por bobagem, mas do tipo intenso, com nuances e inteligência. Aos 77 anos, sendo 63 de carreira, ele mantém pela atuação a emoção quase violenta que sentiu ao subir no palco pela primeira vez, nos fundos de uma igreja em Manaus, diante de uma plateia de 10 pessoas.

 

Exemplo disso é a sessão de fotos que ilustra essa capa. Mesmo fora dos palcos, ele sabe exatamente onde quer ir -- e tem um personagem pronto para cada coisa -- dos movimentos e poses criadas em conjunto com o fotógrafo Pedro Pedreira, à maquiagem pensada por ele e executada a quatro mãos com a maquiadora e apresentadora Vanessa Rozan.

 

Os cliques aconteceram em um estúdio na Praça da República, no centro de São Paulo, onde ele está para uma curta temporada da peça Traidor, em cartaz até o dia 22 de junho, no Teatro Moise Safra. O texto de Gerald Thomas, sem princípio, meio e fim, "retrata a criatura de hoje em dia, que tem uma vida fragmentada, com a cabeça fervendo".

 

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Quando está fazendo o que mais gosta, que é interpretar, o que se vê no palco, nas telas ou no camarim de um estúdio, é a pesquisa intensa e a dedicação metódica pelas quais ficou conhecido. Se fosse outra pessoa, uma personalidade tão grande assim poderia ser tida como difícil, mas não estamos falando de um artista qualquer e sim de um dos grandes atores do Brasil, que é tão inteligente quanto é bem-humorado.

 

Marco Nanini usa camisa e calça ALG e casaco João Pimenta — Foto: Pedro Pedreira

 

O bom humor segue afiado até mesmo quando fala sobre morte, algo que ele encara com naturalidade: “Veja bem, tenho 77 [anos], é grupo de risco total! Para mim é assim: apagou a luz, desligou o botão. Alguém vai lá e desliga. Claro, tem botões e botões, tem um que dá um curto-circuito, mas tem essas coisas, você tem que admitir”.

 

"Quando vejo uma ruga nova, em vez de ficar chateado, celebro. Se tenho uma ruga é porque estou vivo, estou renascendo"

 

O pernambucano também aproveita a estadia na capital paulista para participar pela primeira vez da Parada do Orgulho LGBT+ da cidade, que tem como tema Envelhecer LGBT+: Memória, Resistência e Futuro, coisa que nem ele mesmo imaginaria há alguns anos. “A luta do movimento LGBT+ (ou dos viados, porque eu sou pré-dinossauros) é tão grande… Hoje percebo isso, então decidi mudar minha atitude. Pode ser bom mostrar que também tem gays como eu, uma pessoa bem comum”, conta, acrescentando que decidiu participar da festa justamente pelo tema.

 

Marco Nanini usa jaqueta João Pimenta — Foto: Pedro Pedreira

 

Em 2011, quando falou abertamente pela primeira vez sobre o fato de ser gay, surpreendeu uma boa parte do público que o acompanha entre A Grande Família, O Auto da Compadecida e mais tantos trabalhos icônicos. Apesar de nunca ter propriamente escondido a sexualidade, a discrição com que leva a vida pessoal pode ter ajudado no fator da surpresa dos fãs -- vale lembrar que ele é casado há 36 anos com Fernando Libonati, com quem mantém um relacionamento aberto e é também produtor dele.

 

"Estarei na Parada para mostrar que não tem problema nenhum ser gay. A gente não pode deixar de falar sobre isso, é importante que a gente não pare, para não retroceder"

 

Numa entrevista cheia de risadas, ele fala sobre tudo isso e ainda reflete sobre saúde física e mental, depois de uma cirurgia no menisco e uma recente perda de memória. Nanini também dá lições valiosas sobre amizade, carreira, vaidade e muito mais, enquanto conta o que faz quando se desliga do mundo externo.

 

Marco Nanini usa quimono Kanssei — Foto: Pedro Pedreira

Fotos: Pedro Pedreira

 

Eu suspeito que você não está no grupo de risco e ainda tem muitos anos pela frente. O que quer fazer nos próximos anos?

 

Quero visitar um outro planeta! (risos) Estou brincando. Eu brinco com isso de grupo de risco, tenho que brincar, mas quero continuar vivendo assim como estou, que está ótimo. A vida é um trilho, você está aqui, foi jogado aqui, tem que viver.

 

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Pra gente encerrar, tem mais alguma coisa que não falamos e que queira falar?

 

Não. Eu não tenho memória. Essa é uma das vantagens.

 

Fonte: Quem

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