Atriz, que vive personagens reais e papéis de diferentes perfis, afirma que busca trabalhos que a tirem da zona de conforto e despertem novas possibilidades
Aos 31 anos, Marina Ruy Barbosa vive uma fase de mudanças e novos desafios na carreira. Depois de anos diante das câmeras, a atriz afirma que passou a escolher personagens que não apenas tragam visibilidade, mas que também exijam dela novas formas de atuar.
Em entrevista exclusiva à coluna Fábia Oliveira, Marina falou sobre os projetos recentes, incluindo o filme Antártida, no qual interpreta Inês, e o novo trabalho como Cleonice Rossi, a Nice, primeira mulher de Roberto Carlos. Para ela, a busca por personagens diferentes está diretamente ligada ao desejo de continuar se surpreendendo profissionalmente.
“Não tenho muito interesse em repetir aquilo que já sei fazer só porque funciona. Depois de tantos anos trabalhando, o risco ficou mais interessante para mim do que a segurança. Quero me surpreender comigo mesma para assim, surpreender o público”, afirmou.
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Em Antártida, Marina interpreta uma personagem marcada por conflitos psicológicos e por situações de violência que nem sempre são apresentadas de maneira explícita. Segundo a atriz, o papel exigiu uma atuação baseada principalmente na contenção e nos sentimentos que permanecem escondidos.
“A Inês me exigiu um lugar de contenção, de silêncio, de coisas que estão acontecendo por dentro antes de aparecerem por fora. E eu gosto muito desse tipo de personagem, porque nem tudo precisa ser explicado para o público”, contou.
A atriz também revelou que assistir ao filme pronto provocou uma sensação diferente daquela vivida durante as gravações. Segundo ela, o processo de filmagem é fragmentado, enquanto o resultado final permite enxergar a história de outra maneira.
“Foi emocionante perceber que toda aquela experiência tão fragmentada de filmar tinha se tornado uma história inteira. E também foi estranho, no melhor sentido, olhar para a Inês e conseguir me afastar um pouco de mim”, disse.
Agora, Marina encara outro desafio ao interpretar uma mulher que fez parte da história de um dos maiores nomes da música brasileira. Ao viver Cleonice Rossi, conhecida como Nice, a atriz afirma que seu interesse está justamente em conhecer a mulher que existia além da relação com Roberto Carlos.
“Quem era a mulher que viveu aquele período? Quem era Nice para além da definição de ‘primeira mulher de Roberto Carlos’? Esse ‘para além de’ é sempre onde começo a procurar uma personagem”, explicou.
Para Marina, interpretar pessoas que realmente existiram exige uma responsabilidade diferente. A atriz já passou por esse processo ao interpretar Suzane von Richthofen em Tremembé e afirma que pesquisa documentos, imagens, relatos e características das personagens, mas evita transformar a atuação em uma simples imitação.
“Existe uma responsabilidade adicional porque você não parte de uma página em branco. Há documentos, imagens, relatos, pessoas que conviveram com aquela mulher. Mas eu tento não transformar interpretação em imitação”, afirmou.
Ela explica que, durante a preparação, observa aspectos como voz, postura, contexto histórico, relações familiares e ambiente social. Depois, porém, procura se afastar da pesquisa para encontrar uma interpretação própria.
“Chega um momento em que preciso abandonar um pouco a pesquisa para encontrar humanidade”, completou.
A atriz também comentou as diferenças entre interpretar Suzane e Nice. Enquanto a primeira possui grande quantidade de informações públicas e uma imagem consolidada no imaginário popular, a segunda exige um trabalho de reconstrução de uma mulher cuja trajetória ficou menos registrada.
“Com Nice, existe outro desafio: recuperar uma mulher que ficou muito menos registrada pela história do que o homem ao lado dela. E isso também diz alguma coisa sobre como, durante muito tempo, nós contamos histórias”, declarou.
Para 2026 e 2027, Marina adianta que terá uma agenda movimentada. Segundo ela, três projetos estão sendo gravados neste ano e um quarto ainda será anunciado.
A atriz afirma que pretende continuar escolhendo trabalhos que provoquem mudanças e que também deseja participar cada vez mais das decisões criativas das produções, inclusive como produtora.
“Quero continuar fazendo escolhas que provoquem algum deslocamento. Não tenho muito interesse em repetir aquilo que já sei fazer só porque funciona”, reforçou.
Depois de tantos anos de carreira, Marina diz estar mais seletiva na escolha dos personagens. Ela afirma que não procura necessariamente mulheres consideradas “fortes”, mas personagens complexas, contraditórias e capazes de apresentar desafios.
“Quero encontrar alguma coisa que eu ainda não saiba resolver. Se eu leio um roteiro e imediatamente sei como faria aquela personagem, talvez ela não seja a personagem certa para mim naquele momento. Gosto quando existe uma pergunta antes de existir uma resposta”, afirmou.
Além da atuação, Marina também mantém trabalhos ligados à moda, aos negócios e à produção audiovisual. Apesar da atuação continuar sendo sua principal profissão, ela diz não enxergar problema em transitar por diferentes áreas.
“Eu sou atriz. É a minha profissão desde criança e provavelmente é a linguagem através da qual eu aprendi a observar o mundo”, declarou.
Para ela, as diferentes experiências profissionais não diminuem sua identidade como atriz. Pelo contrário, ajudam a desenvolver novas perspectivas e acabam influenciando também seu trabalho diante das câmeras.
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“Moda, negócios, produção, comunicação… tudo isso desenvolveu outras partes de mim e, de alguma maneira, também voltou para a atriz”, concluiu.