Estudo revela que as asas das mariposas possuem sensores capazes de identificar odores específicos, mudando o que a ciência sabia sobre esses insetos.
Pesquisadores fizeram uma descoberta surpreendente ao identificar que as asas da mariposa-falcão-do-tabaco (Manduca sexta) também desempenham um papel importante no olfato. O estudo, conduzido pelo Instituto Max Planck de Ecologia Química, na Alemanha, mostrou que essas estruturas são capazes de detectar odores essenciais para a sobrevivência e reprodução da espécie.
A pesquisa, publicada no Journal of Experimental Biology, confirmou uma hipótese que intrigava cientistas há anos. Após analisarem as bordas das asas com microscópio eletrônico, os pesquisadores encontraram pequenos pelos repletos de poros, muito semelhantes aos receptores olfativos existentes nas antenas dos insetos.
Na sequência, a equipe examinou o RNA mensageiro das asas e identificou 33 receptores ligados ao paladar e ao olfato. Desses, 15 estavam concentrados justamente nas regiões onde foram encontrados os pelos sensoriais, reforçando que as asas participam da identificação de odores no ambiente.
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Os testes revelaram que as asas conseguem detectar compostos químicos chamados pirrolidina e piperidina, substâncias presentes nas folhas de plantas da família das solanáceas as preferidas pelas mariposas para depositar seus ovos.
Para comprovar o funcionamento desses sensores, os cientistas conectaram as asas a um circuito elétrico e expuseram a estrutura a diferentes odores. Apenas as duas aminas foram reconhecidas, produzindo sinais elétricos que indicam a ativação dos receptores.
Em outro experimento, realizado com auxílio de inteligência artificial, foi observado que as proteínas receptoras mudam de formato quando entram em contato com o odor correto, gerando impulsos elétricos que são enviados ao sistema nervoso do inseto.
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Segundo os pesquisadores, a descoberta amplia o conhecimento sobre a anatomia das mariposas e revela que as asas não servem apenas para o voo, mas também ajudam os insetos a localizar as plantas ideais para garantir a reprodução da espécie.