Doze alunos e um professor foram mortos quando dois estudantes fortemente armados abriram fogo na escola em Littleton, Colorado, em 20 de abril de 1999, antes de tirarem as próprias vidas
Em um relatório de autópsia de 13 páginas, a Dra. Dawn B. Holmes, patologista forense do escritório do legista do Condado de Jefferson, relacionou a morte de Hochhalter aos ferimentos que ela sofreu quando tinha 17 anos e estava no terceiro ano do ensino médio. “Complicações da paraplegia devido a dois (2) ferimentos à bala são um fator significativo que contribuiu para a morte”, escreveu Holmes.
O relatório, obtido na quinta-feira pelo The New York Times, indicou que Hochhalter morreu de sepse, uma resposta extrema do sistema imunológico a uma infecção. Doze alunos e um professor foram mortos quando dois estudantes fortemente armados abriram fogo na escola em Littleton, Colorado, em 20 de abril de 1999, antes de tirarem as próprias vidas. Na época, foi o tiroteio escolar mais mortal da história dos EUA. O ataque também deixou outras 21 pessoas feridas.
Hochhalter estava almoçando com amigos quando os tiros começaram. Ela foi atingida duas vezes, no peito e nas costas. Apesar de enfrentar desafios médicos ao longo da vida e de precisar usar uma cadeira de rodas, ela manteve sua independência e falava com frequência sobre a violência armada.
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Seu irmão, Nathan, que era calouro em Columbine na época do massacre, mas não se feriu, disse na quinta-feira que não fazia sentido incluir sua irmã entre as pessoas que morreram naquele dia. — Ela ganhou 26 anos a mais — diz Nathan Hochhalter: — Era muito independente, mas não foram 26 anos fáceis.

Hochhalter, hoje com 40 anos, afirmou que sua irmã se considerava uma sobrevivente, e não uma vítima: ela conseguia dirigir, ir ao mercado e frequentar a escola, tendo morado sozinha por vários anos. Policiais encontraram o corpo de Anne Marie Hochhalter em sua casa em Westminster, Colorado, em 16 de fevereiro, durante uma verificação de bem-estar. Sue Townsend, que se tornou próxima de Hochhalter depois que sua enteada, Lauren Townsend, foi morta no massacre, disse ao Times no mês passado que Hochhalter lidava com os efeitos persistentes de seus ferimentos, incluindo uma escara e uma infecção.
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Fotos: Reprodução
Ao longo dos anos, o trauma se manifestou de diversas formas tanto para Hochhalter quanto para seu irmão. Seis meses após o ataque, sua mãe, Carla June Hochhalter, tirou a própria vida. Carla, que tinha 48 anos, já lutava contra depressão e outros problemas de saúde mental antes do massacre de Columbine, como a filha relatou mais tarde. Em 2016, quando Sue Klebold, mãe de um dos atiradores de Columbine, lançou o livro de memórias A Mother’s Reckoning (O Acerto de Contas de uma Mãe), Anne Marie Hochhalter escreveu uma mensagem para Klebold no Facebook, dizendo que não guardava ressentimentos.
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“Assim como eu não gostaria de ser julgada pelos pecados de membros da minha família, tenho esse mesmo sentimento em relação a você”, escreveu Hochhalter. “Tem sido uma jornada difícil para mim, com muitos problemas médicos devido à lesão na medula espinhal e uma dor nervosa intensa, mas escolho não guardar amargura contra você. Um bom amigo uma vez me disse: ‘A amargura é como engolir um veneno e esperar que a outra pessoa morra.’ Ela só prejudica a si mesmo. Eu te perdoei e te desejo apenas o melhor” .
Fonte: BBC