Negócio sem garantias adequadas e com alertas ignorados expõe falhas graves na gestão do banco estatal
O Banco de Brasília está no centro de uma nova controvérsia após a revelação de que adquiriu, em duas ocasiões distintas, a mesma cédula de crédito bancário (CCB) do Banco Master, em operações que somam cerca de R$ 500 milhões. As transações teriam sido realizadas sem garantias adequadas e contrariando recomendações da área técnica do próprio banco.
Segundo documentos revelados pelo portal Metrópoles, o ativo em questão está ligado à empresa RKO Alimentos, um frigorífico do Mato Grosso que teria contratado um empréstimo de R$ 400 milhões junto ao Banco Master em 2023. O BRB adquiriu partes dessa dívida em dois momentos distintos, totalizando R$ 498 milhões pagos.
A primeira aquisição ocorreu em outubro de 2024, no valor de R$ 174 milhões. Para compensar a falta de garantias suficientes, foi incluída uma suposta garantia imobiliária avaliada em R$ 1,3 bilhão, localizada em Mata de São João. No entanto, apurações indicam que o imóvel não pertencia ao Banco Master, o que inviabilizaria sua utilização como garantia real.
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A segunda compra, no valor de R$ 324 milhões, foi realizada em junho de 2025, mesmo após alertas internos sobre irregularidades em outras carteiras adquiridas do mesmo banco. A operação foi aprovada com rapidez, antes mesmo da emissão de parecer jurídico completo.
Relatórios técnicos do BRB apontaram pelo menos 18 riscos relevantes na negociação, incluindo ausência de garantias reais, falta de transparência na aplicação dos recursos, inexistência de documentos financeiros atualizados e baixo nível de cobertura da dívida.
Além disso, havia inconsistências na destinação dos recursos do empréstimo. Parte significativa do valor deveria estar aplicada em fundos de investimento, mas houve mudanças nos fundos indicados sem documentação formal que justificasse as alterações.
O parecer jurídico do banco, que só foi concluído dias após a aprovação da operação, recomendava a adoção de medidas de segurança, como cláusulas de proteção institucional. No entanto, a compra já havia sido autorizada sem a inclusão dessas salvaguardas.
As operações levantam dúvidas sobre a governança e os critérios adotados pelo banco estatal na aquisição de ativos financeiros. Há suspeitas de que parte dessas carteiras seja composta por ativos de baixa qualidade ou até irregulares, o que pode gerar impactos ainda desconhecidos nas contas da instituição.
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O caso deve ampliar a pressão por investigações e maior rigor na fiscalização, especialmente por parte de órgãos reguladores como o Banco Central.